Archive for Junho, 2007

Conjugações e Palavrões
Junho 26, 2007

-” Com locutores e actores é preciso cuidado…Cada um fala como quer, e, se diz asneiras, ninguém lhe vai à mão. Têm carta branca para destruir a pronúncia como lhes der jeito.(…), que ninguém lhe bate. Protege-lhe as costas a rica Irmandade da Complacência Nacional.
Rádio e teatro deveriam ser escolas de pronúncia da língua portuguesa. [...]

Faz, Invoca, Diz…
Junho 26, 2007

Faz uma chave, mesmo pequena,
entra na casa.
Consente na doçura, tem dó
da matéria dos sonhos e das aves.
Invoca o fogo, a claridade, a música
dos flancos.
Não digas pedra, diz janela.
Não sejas como a sombra.
Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais [...]

Para o Óscar Lopes
Junho 26, 2007

Lisboa, finais de 1978
Meu Caro
(…)
Bom. Limitando-me agora à nossa Literatura, estou a ver que a tal remodelação em que tínhamos pensado não pode ser ainda realizada na próxima edição. (…)
Eu inclino-me cada vez mais para a conclusão de que a literatura não pertence à “ciências sociais”.
É uma questão de experiência imediata, como comer uma maçã [...]

Pensar com Virgílio Ferreira
Junho 26, 2007

“O amor acrescenta-nos com o que amarmos. O ódio diminui-nos. Se amares o universo, serás do tamanho dele. Mas quanto mais odiares, mais ficas apenas do teu. Porque odeias tanto? Compra uma tabuada. E aprende a fazer contas”.

Eliminação de Acentos.
Junho 17, 2007

Os acentos circunflexos e os graves com que se assinalavam as sílabas subtónicas dos vocábulos derivados com o sufixo -mente e com os sufixos iniciados por z foram eliminados da ortografia portuguesa pelo Decreto-Lei n.º 32/73.
Exs.: Trôpego -> tropegamente;
Pé – > pezinho.

“Coisas” do O´Neill
Junho 17, 2007

“Eu andei para marinheiro
mas pus óculos e fiquei em terra.”
“Acaso o nosso destino, tac!, vai mudar?”
” Não ouvi bem o que disseste…”
Alexandre O´Neill

Frente a Frente
Junho 17, 2007

Nada podeis contra o amor.
Contra a cor da folhagem,
Contra a carícia da folhagem,
Contra a luz, nada podeis.
Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
e é tão pouco.
Eugénio de Andrade

O Professor de Português
Junho 17, 2007

“Não sou, junto de vós, mais do que um camarada um bocadinho mais velho. Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem ciosas que eu não sei ou já me esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. Aqui e no pátio e na rua e [...]

Certeza
Junho 17, 2007

Não:
Nunca saberás quem sou.
Apesar destes beijos que te dou
E destas ironias que te digo,
Vou contigo
Como vou
Ao lado dum inimigo.
Miguel Torga
Coimbra, 6/11/1936

Um Céu sem Anjos de África
Junho 17, 2007

À Guilhermina e ao Egídio
Detinha
a menina de cinco anos
tinha pai e tinha mãe
e tinha duas irmãs, Senhor!
Detinha
a menina de cinco anos
tinha uma filha de retalhos de chita
e fazia duas covinhas de ternura na face
quando sorria, Senhor!
Detinha
a menina de cinco anos
tinha uma filha de ágeis pernas de pano
olhos brilhantes de cabeças de alfinete
e fulvos cabelos de [...]