Chove, é o deserto, o lume apagado,
que fazer destas mãos, cúmplices do sol?
Eugénio de Andrade
Archive for Julho, 2007
Breve Poema
Julho 31, 2007
A Pequena Vaga
Julho 16, 2007
Mar de pequena vaga e céu azul:
a irrupção das frésias na manhã
faz destas ruas um jardim do sul.
Eugénio de Andrade
Idiomatismos
Julho 10, 2007
Andam por aí umas coisas esquisitas. Querem ver?
- O João anda com a cabeça à roda.
- A Júlia anda com a chefe nas palmas da mão.
- A Maria e a colega andam com a pedra no sapato em relação aos maridos.
- O Rui anda com a pulga atrás da orelha por causa do concurso.
- A [...]
Zibaldone
Julho 10, 2007
Neste país de monólogo,
do fala-só, muitos poucos
conversatam uns co´os outros,
e é sempre uma conversata
triste e chata,
um não-ter-que-dizer que não se esgota
senão e plavras pela boca fora.
(O´Neill, 1984)
A Feira do Livro
Julho 9, 2007
“A Feira do Livro é estar sentado debaixo de um guarda-sol às listas, a dar autógrafos e a comer os gelados que a minha filha Isabel me vai trazendo de uma barraquinha três editoras adiante, preocupada com as atribuições de um pai sisudo, de repente da idade dela, a escrever dedicatórias, de língua de fora, [...]
Conselhos Morais
Julho 9, 2007
(Para viver em paz)
Ouve, vê e cala,
e viverás vida folgada:
tua porta cerrarás,
teu vizinho louvarás;
quanto podes não farás,
quanto sabes não dirás,
quanto vês não julgarás,
quanto ouves não crerás,
se quiseres viver em paz.
Seis coisas sempre vê,
quando falares, te mando:
de quem falas, onde e quê,
e a quem, como e quando.
D. João Manuel (séc. XV)
Livros
Julho 4, 2007
Lê os bons livros. Os livros
Onde mais discreto amigo?
Dizem-me tudo o que sabem,
Não contam o que eu lhes digo!
Lê bem. Se vais à botica,
Levas mel ou rosalgar?
Escolhe: há livros-veneno:
Não te vás envenenar.
A. Correia de Oliveira
SEM TÍTULO 1
Abrir um livro
É ler as páginas inteiras
como quem percorre
inteira,
pelas ruas,
uma cidade
e ter a certeza
de que é possível
encontrar a [...]
Andanças de Poeta
Julho 4, 2007
Pelo céu cor de violeta,
que lindo,
que lindo vai o poeta.
Pôs uma camisa branca
e sapatos amarelos
as calças agarradinhas
são da feira de Barcelos.
Pelo céu vai o poeta.
Sobe, sobe de bicicleta.
Eugénio de Andrade