Archive for Fevereiro, 2008

Alice Pereira Gomes
Fevereiro 19, 2008

Foto: Alice Pereira Gomes, irmã de Soeiro Pereira Gomes, com o marido, Adolfo Casais Monteiro em 1934.
Alice Pereira Gomes nasceu no dia 24 de Agosto de 1910 em Granjinha – Tabuaço.
Estudou no Porto.
Foi professora do Ensino Primário naquela cidade e também em Lisboa.

Fundou a Associação Portuguesa para a Educação pela Arte.
Pedagoga, escritora de literatura [...]

Siniense
Fevereiro 10, 2008

Conversa de Vogais e Outras Mais…

- Ó mana, já viste o jornal que aquele Sr. de bigode traz na mão?
- Sim, mas o que é que tem? Parece-me um jornal municipal. E a ti?
- Tens razão, mana! Mas repara no título.
- Oh! Eu estou a ver bem? Será das lentes? “Sineense”?!!!… Não acredito!
- Mas não sabem escrever o gentílico [...]

Adolfo Casais Monteiro – Três Poemas: Poeta, Aurora, Fado
Fevereiro 10, 2008

POETA
Poeta: uma criança em frente do papel,
Poema: os jogos inocentes,
invenções do menino aborrecido e só
A pena joga com palavras ocas,
Atira-se ao ar a ver se ganha o jogo.
Os dados caem: são o poema: Ganhou.
Adolfo Casais Monteiro, Confusão,1929 – primeiro poema do seu primeiro livro.

AURORA
A poesia não é voz – é uma inflexão.
Dizer, [...]

Carta de Sophia para Jorge de Sena
Fevereiro 10, 2008

Paris, Março de 1962
Meu caro Jorge
Estou a escrever-lhe em França, à volta de Itália, onde fui ao Congresso da COMES (Comunidade Europeia de Escritores). São duas da manhã e estou verdadeiramente exausta e por isso esta carta não pode ser tão detalhada como eu queria. Fui para Florença com a Agustina Bessa-Luís que era a [...]

As Mulheres
Fevereiro 10, 2008

“ As mulheres detinham um espaço privilegiado nas histórias de Carlota. E as que mereciam esse espaço acabavam sempre, mais cedo ou mais tarde, por ser qualificadas de insubmissas. As mulheres obedientes, cordatas, respeitadoras da hierarquia masculina e severas transmissoras da inquestionada observação do seu lugar e das suas limitações, não entravam nas memórias de [...]

Adolfo Casais Monteiro – Carta para a Mãe
Fevereiro 10, 2008

Araraquara, 3 de Junho de 63
Querida Mãe,
Cá vou vivendo, e economizando, mesmo sem fazer nada para isso (vantagem de viver numa cidadezinha chata …), para ver se no fim do ano sempre vou à Europa. Que posso contar? Nada que valha a pena, pois dar aulas, escrever artigos e conversar com este e aquele não [...]

Arte Poética?
Fevereiro 9, 2008

Luto com as palavras como quem luta
com fantasmas? Vêm e vão, prendo-as
e fixo-as ao papel. Domesticadas
ei-las no entanto carregadas de sentido e de mistério
Uso-as, escolho as mais límpidas e lisas
Para as trespassar de sonho e de verdade
Mas será que só o “fingimento” as colhe e torna
grávidas de poesia? Engravida-se a palavra
de vento, de lamento, [...]

Um Pensamento da Florbela
Fevereiro 9, 2008

“Há bocas sorridentes que gritam para dentro d´alma o uivo dos chacais nos matagais desertos.”
Florbela Espanca (1894-1930)

Adolfo Casais Monteiro – Carta para a Esposa, Alice Pereira Gomes
Fevereiro 8, 2008

Lisboa, 7 de Julho de 39
“Meu Amor:
Fiquei, senti-me tão só depois de te ires embora! Ficou tudo tão vazio! Mas é por pouco tempo, paciência.
No próprio dia em que foste, tive uma boa notícia, que para mim é boa por razões materiais e por uma razão que tu só poderias compreender o que o Raul [...]

O Imperador
Fevereiro 8, 2008

“Dizem que o imperador, ao desembarcar em Lisboa, ficou estupefacto pelo número elevado de pretos que lhe acenavam.
De entre as várias perguntas que fez, uma ficou memorável:
- Ainda não saímos de Xilunguine?
O mundo deixara de ter fronteiras.”
Ungulani Ba Ka Khosa, Ualalapi