Archive for Abril, 2008

Se…
Abril 29, 2008

“ Se eu ficasse aqui, indefinidamente a escrever, transformar-me-ia num tecido puído; desfeita quando alguém, ou alguma coisa me tocasse, deixaria apenas poeira com o brilho das palavras e dos seres.”
Maria Gabriela Llansol

Biblioteca Itinerante
Abril 29, 2008

Era uma carrinha, talvez um carro gigante aos meus olhos de criança, que parava periodicamente no jardim da vila, demasiado alta para as minhas pequenas pernas magricelas e trémulas, na qual penetrava tímida e curiosamente, como se se tratasse de uma gruta desconhecida de paredes esculpidas de tesouros sem fim, que me era permitido tocar, [...]

Porto
Abril 12, 2008

” Eu gosto do Porto. (…) e amo-o de um amor platónico, avivado de ano a ano à passagem para a minha terra natal, quando o Menino Jesus acena lá das urgueiras.
(…)
De vez em quando perco a cabeça, estrago os horários e vou ao Museu Soares dos Reis ver o Pousão, passo pela [...]

Portalegre
Abril 12, 2008

Toada de Portalegre
Em Portalegre, cidade,
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras
[e sobreiros,
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela…
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia de ténue, mas viva, obsidiante
[memória
De antigas gentes e traças,
Cheias de sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia [...]

Évora
Abril 12, 2008

Évora! Ruas ermas sob os céus
cor de violetas roxas… Ruas frades
Pedindo em triste penitência a Deus
que nos perdoe as míseras vaidades!
Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só aqui recordo os beijos teus,
E só aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!
Évora!… O teu olhar… o teu perfil…
Tua boca sinuosa, um mês de [...]

Setúbal
Abril 12, 2008

Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
Mansa corrente deleitosa, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado;
Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mais vagarosa para o mar salgado.
Devo enfim manejara por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos [...]

Coimbra
Abril 12, 2008

Lindas águas do Mondego
Por cima olivais do monte,
Quando as águas vãos crescidas
Ninguém passa alem da ponte!
Ó rio, rio da vida,
Quem te fora atravessar!
Vais tão cheio de tristezas…
Ninguém te pode passas.
(…)
Antero de Quental

“…Reclinada molemente na verdejante colina, como odalisca em seus aposentos, está a sábia Coimbra, a Lusa Atenas. Beija-lhe os pés, segredando-lhe de amor, o [...]

Lisboa
Abril 12, 2008

Esta névoa sobre a cidade, o rio,
as gaivotas doutros dias, barcos, gente
apressada ou com o tempo todo para perder,
esta névoa onde começa a luz de Lisboa,
rosa e limão sobre o Tejo, esta luz de água,
nada mais quero de degrau em degrau.
Eugénio de Andrade
“Lisboa é bonita. (…) a cidade medieval de Álvaro Pais e Fernão Lopes, [...]

Praias
Abril 12, 2008

“A luz afoga-se no silêncio destes lugares desertos. Um mergulhão em voo picado entra numa onda.
Pedra Casca: caminha pelas areias e pensa na cidade que se liquefaz na memória. Passo a passo, estremece com aquilo que desejas. E não desejas mais do que entrar neste mar, como o mergulhão.
Burrinho: uma noite são mil anos. Mil [...]

Entre o Sono e o Sonho
Abril 9, 2008

Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim
E o quem eu me suponho,
Corre um rio sem fim.
Fernando Pessoa