Archive for Setembro, 2008

Jorge de Sena – Terceira Carta do Brasil
Setembro 30, 2008

“Eu não sou linguista, coisa que aliás não há em Portugal; escritor português, não sou filólogo nem gramático, senão na medida em que, para mim, uma linguagem é um organismo vivo que tenho de conhecer em suas realizações e virtualidades, para melhor nela exprimir-se. (…)
(…) não me é indiferente o destino da língua portuguesa no [...]

Alexei Bueno – Pergunta
Setembro 30, 2008

Será realmente a face do universo
A face da Medusa,
Esta geral destruição confusa,
Este criar perverso,
Ou será a máscara, álgida e estrelada,
Onde os cometas passam,
Turva de treva, rútila de nada,
E onde olhos se espedaçam?
4-11-1998
Alexei Bueno (Rio de Janeiro, 26/4/1963)
Poeta, ensaísta, editor, antologista, tradutor.

Rachel de Queiroz – A Gente é…
Setembro 30, 2008

“A gente é morrendo e aprendendo”.
Rachel de Queiroz(Fortaleza, 17/11/1910 – Rio de Janeiro, 4/11/2003)
Romancista, poetisa, cronista, dramaturga, escritora de literatura infanto-juvenil, jornalista, tradutora, 1.ª mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

Vinicius de Moraes – Da Solidão
Setembro 29, 2008

A maior solidão é a do ser que não ama.
A maior solidão é a do ser que ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem [...]

Cecília Meireles – Aspiração
Setembro 29, 2008

“Às vezes nós nos supomos donos do mundo, e temos a coragem de tentar erguer uma aspiração capaz de atingir toda a humanidade.
Construímo-la com as forças mais puras do nosso espírito, animamo-la com o sangue das mais nítidas esperanças, e apresentamo-la como a melhor parte de nós mesmos, edificada no silêncio e na sombra, fortalecida [...]

Carlos Drummond de Andrade – Estes Poetas São Meus
Setembro 29, 2008

Estes poetas são meus. (…)
Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiacovsky.
São todos meus irmãos, não são jornais
nem deslizar de lancha entre camélias:
é toda a minha vida que joguei.
Carlos Drummond Andrade (Itariba, 31/10/1902 – Rio de Janeiro, 17/8/1987)
Poeta, contista e cronista brasileiro, licenciado [...]

Marina Colasanti – Ver o Mundo
Setembro 29, 2008

Quando Nero queria ver
o mundo
olhava-o através de uma esmeralda.
Quando quero ver melhor
o mundo
eu o olho através das palavras.
Marina Colasanti (Asmara, 26/9/1937)
Poetisa, contista, escritora de literatura infantil e juvenil, esposa do escritor Affonso Romano de Sant´Anna.

Affonso Romano de Sant´Anna – Alguma Coisa
Setembro 29, 2008

Alguma coisa
o oráculo dizia
dizia
dizia alguma coisa
que decifrar não conseguia.
Affonso Romano de Sant´Anna (Belo Horizonte, 27 de Março de 1937)
Poeta, cronista, ensaísta, esposo da poetisa Marina Colasanti.

Manuel Bandeira – Portugal, Meu Avôzinho
Setembro 29, 2008

Como foi que temperaste,
Portugal, meu Avõzinho,
Esse gosto misturado
De saudade e de carinho?
Esse gosto misturado
De pele branca e trigueira,
Gosto de África e de Europa,
Que é o da gente brasileira.
Gosto de samba e de fado,
Portugal, meu avôzinho.
Ai, Portugal, que ensinaste
Ao Brasil o teu carinho!
Tu de um lado, e do outro lado
Nós… No meio o mar profundo…
Mas, por [...]

Al Berto
Setembro 25, 2008

“(…)
…em ti acostam os barcos e a sombra dos grandes
navios do mundo
vive o peixe, agitam-se algas e medusas de mil desejos
… em ti descansam os pássaros chegados doutras rotas
secam as redes, põe-se ao sol
… em ti se abandona a ressaca das ondas e o sal
dos meus olhos
as árvores inclinadas, os frutos e as dunas
… [...]