Florbela Espanca – A Nossa Casa

Fevereiro 22, 2018 - Uma resposta

 

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho… que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num país de ilusão que nunca vi…
E que eu moro – tão bom! – dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim…

 

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8/12/1894 – Matosinhos, 8/12/1930)
Poetisa, 1.ª mulher a frequentar o curso de Direito na Universidade
de Lisboa, percursora do movimento feminista em Portugal.

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Luís de Camões – “Verdade, amor, razão, merecimento…”

Fevereiro 22, 2018 - Leave a Response

 

Verdade, amor, razão, merecimento,
Qualquer alma farão segura e forte;
Porém, fortuna, caso, tempo e sorte,
Têm do confuso mundo o regimento.

Efeitos mil revolve o pensamento
E não sabe a que causa se reporte:
Mas sabe que o que é mais que vida e morte,
Não se alcança de humano entendimento.

Doctos varões darão razões subidas,
Mas são experiências mais provadas:
E por isso é melhor ter muito visto.

Coisas há que passam sem ser cridas:
E coisas cridas há sem ser passadas.
Mas o melhor de tudo é crer em cristo.

 

Luís de Camões (1517 e 1524(?) – Lisboa. 10/6/1580)
O maior poeta português de todos os tempos.

Manuel Bandeira – A Camões

Fevereiro 22, 2018 - Leave a Response

 

Quando nalma pesar de tua raça
A névoa da apagada e vil tristeza,
Busque ela sempre a glória que não passa,
Em teu poema de heroísmo e de beleza.

Gênio purificado na desgraça,
Tu resumiste em ti toda a grandeza:
Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça
O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente
Da estirpe que em perigos sublimados
Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,
A língua em que cantaste rudemente
As armas e os barões assinalados.

 

Manuel Bandeira (Recife, Brasil, 19/4/1886 – Rio de Janeiro, 13/10/1968)
Poeta, crítico literário e de arte, tradutor, professor.

Paulo Teixeira – I – Credo quia absurdum

Fevereiro 22, 2018 - Leave a Response

 

Creio na vastidão ilimitada dos amores humanos,
esses amores que se fundem com os domínios
inelutáveis da dor: o amor, essa claridade
que não alcançou em nossos dias
a recôndita certeza dos deuses.

Amores
frágeis sob o voo irisado das aves, amores
de uma noite profunda ou de uma tarde amena
entre o regaço de outras mãos. Amores
de um país onde tudo se esquece entre
uma aurora e outra.

TEIXEIRA, Paulo, As Imaginações da Verdade

Paulo Teixeira (Lourenço Marques, atual Maputo, 1962)
Poeta, professor do Ensino Secundário, licenciado em Geografia e Planeamento Regional.

Gentílicos ou Pátrios de Estados e Territórios – Arábia, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Arménia, Aruba, Ásia, Austrália, Áustria, Azerbaijão

Fevereiro 22, 2018 - Leave a Response

 

Gentílicos ou pátrios – nomes que indicam: nacionalidade, origem ou lugar de nascimento, residência de alguém ou proveniência de alguma coisa.

Eis alguns, de estados e territórios:

Arábia —————————————————– árabe

Arábia Saudita —————————————— saudita

Argélia —————————————————- argelino

Argentina ———————————————— argentino

Arménia ————————————————– arménio

Aruba —————————————————– arubano

Ásia ——————————————————- asiático

Austrália ————————————————- australiano

Áustria ————————————————— austríaco

Azerbaijão ———————————————- azerbaijanês

(continua)

Eugénio de Andrade – As Nascentes da Ternura

Fevereiro 19, 2018 - Leave a Response

 

1
No espaço de um relâmpago
os olhos reflectem os navios.

2
O silêncio brilha acariciado.

3
O silêncio é de todos os rumores
o mais próximo da nascente.

4
Só água era, e sem memória.

5
Claridade sem repouso, ó claridade,
aguda nos juncos, nas pedras rasa.

6
É no ardor dos cardos
que o vento faz a casa.

7
Da pedra à cal, do sal à espuma,
amo a pobreza e a brancura.

ANDRADE, Eugénio de, Ostinato Rigore

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

Sophia – Deriva VIII

Fevereiro 19, 2018 - Leave a Response

 

Vi as águas os cabos vi as ilhas

E o longo baloiçar dos coqueirais

Vi lagunas azuis como safiras

Rápidas aves furtivos animais

Vi prodígios espantos maravilhas

Vi homens nus bailando nos areais

E ouvi o fundo som das suas falas

Que já nenhum de nós entendeu mais

Vi ferros e vi setas e vi lanças

Oiro também à flor das ondas finas

E o diverso fulgor dos outros metais

Vi pérolas e conchas e corais

Desertos fontes trémulas campinas

Vi o rosto de Eurydice das neblinas

Vi o frescor das coisas naturais

Só do Preste João não vi sinais

 

As ordens que levava não cumpri

E assim contando tudo quanto vi

Não sei se tudo errei ou descobri

1982

 

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 06/11/1919 – Lisboa, 02/07/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o Prémio Camões (1999).

Lêdo Ivo – O Dia

Fevereiro 18, 2018 - Leave a Response

 

Das profundezas da tarde vem o dia em que se vive eternamente
igual à água múrmura entre os rochedos
onde se ocultam na antemanhã os peixes perseguidos pelos
homens.

Não se percebe o outro dia melodioso lá fora
nas perspectivas dos arranha-céus, nos cinemas e no trânsito.
A hora tem uma espessura de segredo guardado
e as gargantas de onde as sedes emigraram
suplicam apenas o que sobrou do frio e do sono.

As imprecações dormem no ar, com uma resistência de anjos,
e as doçuras se desfiguram numa ilusão de joelhos fendidos

n’água
como se os corpos sentissem que o tempo foi embora.
A vida, liberta dos vocabulários eventuais, festeja-se sem

memória
no espírito acorrentado a um infinito agora
eternamente presente como o oceano nas praias.

IVO, Lêdo, Cântico, 1949

 

Lêdo Ivo (Maceió, 18/2/1924 – Sevilha, 23/12/2012)
Poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta, autor de literatura infanto-juvenil, jornalista.

Adélia Prado – O Pelicano

Fevereiro 18, 2018 - Uma resposta

 

Um dia vi um navio de perto.

Por muito tempo olhei-o

com a mesma gula sem pressa com que olho Jonathan:

primeiro as unhas, os dedos, seus nós.

Eu amava o navio.

Oh! eu dizia. Ah, que coisa é um navio!

Ele balançava de leve

como os sedutores meneiam.

À volta de mim busquei pessoas:

olha, olha o navio

e dispus-me a falar do que não sabia

para que enfim tocasse

no onde o que não tem pés

caminha sobre a massa das águas.

Uma noite dessas, antes de me deitar

vi – como vi o navio – um sentimento.

Travada de interjeições, mutismos,

vocativos supremos balbuciei:

Ó Tu! e Ó Vós!

– a garganta doendo por chorar –

Me ocorreu que na escuridão da noite

eu estava poetizada,

um desejo supremo me queria.

Ó Misericórdia, eu disse

e pus minha boca no jorro daquele peito.

Ó amor, e me deixei afagar,

a visão esmaecendo-se,

lúcida, ilógica,

verdadeira como um navio.

In BASTOS, Jorge Henrique, Antologia de Poesia Brasileira do Século XX  dos Modernistas à Actualidade

 

Adélia Prado (Divinópolis, Brasil, 13/12/1935)
Poetisa, prosadora, tradutora, professora, licenciada em Filosofia, galardoada com diversos prémios literários.

Gentílicos ou Pátrios de Estados e Territórios – Afeganistão, África, África do Sul, Albânia, Alemanha, Andorra, Angola, Anguila, Antígua e Barbuda, Antiga República Jugoslava da Macedónia, Antilhas Neerlandesas

Fevereiro 18, 2018 - Leave a Response

 

Gentílicos ou pátrios – nomes que indicam: nacionalidade, origem ou lugar de nascimento, residência de alguém ou proveniência de alguma coisa.

Eis alguns, de estados e territórios:

Afeganistão ——————————————- afegão, afegane

África ————————————————– africano

África do Sul —————————————— sul-africano

Albânia ————————————————- albanês

Alemanha ——————————————— alemão, germânico, germano

Andorra ———————————————— andorrano, andorriano

Angola ———————————————— angolano, angolense, angolar

Anguila ————————————————– anguilano

Antígua e Barbuda ———————————– antiguano, barbudano

Antiga República Jugoslava da Macedónia – macedónio

Antilhas Neerlandesas —————————— antilhano

(continua)