Rodrigo Guedes de Carvalho – Daqui a Nada

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

“Tinha 2o anos quando escrevi o Daqui a Nada. Escrevi-o relativamente depressa e relativamente sem pensar porque nada tinha a perder. Nem sequer tinha a expectativa de o publicar.

Dei-o a ler ao meu avô, à minha mãe, à namorada e fiquei em pânico. Responderam com uma atitude positiva , mas algo paternalista, do género: que giro, tão novinho e escreveu um romance. Não bastava para me acalmar.”

Em 1992, o autor dirigiu-se à editora que ficava na sua rua, a Contexto, e…

“Estava decidido a duas coisas: se gostarem, não vou embandeirar em arco porque pode haver editores que não gostam, e se não gostarem, não vou deixar de escrever. Não depositei ali a minha vida.”

In JL de 10 – 23 Outubro 2007

 

Rodrigo Guedes de Carvalho (Porto, 14/11/1963)

Escritor e jornalista.

Inês Pedrosa – A Minha Escrita

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

Inês Pedrosa

“(…) Procuro que a minha escrita trate do grau mais particular e do mais geral, de uma forma fluída e cintilante, que chegue a todos sem fazer concessões, que atinja o mais alto e o mais baixo e que sobretudo abane qualquer coisa dentro das pessoas, acorde o que adormeceu dentro delas.

Dou tudo o que tenho nos livros. Se os livros me transformaram espero que possam transformar também as pessoas. E que possam ser a voz de um tempo.”

In JL, 26 de dezembro de 2012 a 8 de janeiro de 2013

Inês Pedrosa (Coimbra, 15/8/1962)
Jornalista, contista, cronista, romancista, tradutora, licenciada em Ciências das Comunicação.

Onomatopeias – Vozes de Animais, Nova Versão – Pega, Peixe, Pelicano, Perdigão / Perdiz, Periquito, Peru, Pica-pau, Pintarroxo, Pintassilgo, Pinto

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

As Vogais

Onomatopeias são as palavras que imitam as vozes de pessoas ou animais, e os ruídos da natureza e de objectos.

A atual publicação terá uma nova apresentação relativamente às anteriores:

1.Vozes de Animais – por ordem alfabética dos emissores, para mais fácil consulta!

2. Outros Ruídos ou Sons

1.Vozes de Animais (continuação)

Pega ———————- palrar

Peixe ——————— roncar

Pelicano —————- grasnar, grassitar

Perdigão, perdiz —– piar, pipiar

Periquito ————— chalrar, chalrear

Peru ——————— gorgolejar, grugrulejar, grugrulhar, grulhar

Pica-Pau —————- estridular, restridular

Pintarroxo ————-  gorjear, trinar

Pintassilgo ———–  dobrar, modular, trilar

Pinto ——————- piar, pipiar, pipilar.

(continua)

Isabel Fraga – O Avô Urbano Rodrigues

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

Isabel Fraga

“Morreu quando eu tinha 15 anos. Era um republicano que às tantas se virou para Salazar, mas se manteve incorrupto, correcto, irrepreensível.

Tive uma relação muito forte com o meu avô, e devo-lhe até o primeiro contacto com a Literatura, através dos seus romances.”

In JL de 21 Julho – 3  Agosto de 2004

Nota: Urbano Rodrigues (Serpa – 1888 – Lisboa, 1971), jornalista, dramaturgo, romancista e novelista, pai de Urbano Tavares Rodrigues, Miguel Tavares Rodrigues e Jorge Tavares Rodrigues, também jornalistas e escritores, amigo de Teófilo Braga e Manuel Teixeira Gomes.

Isabel Fraga (Lisboa, Agosto de 1950)
Poetisa, contista, novelista, romancista e tradutora – conhecida pela tradução de Harry Potter -, esposa do historiador e ensaísta Luís Fraga, filha de Maria Judite de Carvalho e Urbano Tavares Rodrigues.

Maria Judite de Carvalho – A Vida

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

Maria Judite de Carvalho

“A criança estava perplexa. Tinha os olhos maiores e mais brilhantes do que nos outros dias, e um risquinho novo, vertical, entre as sobrancelhas breves. “Não percebo”, disse.

Em frente da televisão, os pais. Olhar para o pequeno écran era a maneira de olharem um para o outro. Mas nessa noite, nem isso. Ela fazia tricô, ele tinha o jornal aberto. Mas tricô e jornal eram alibis. Nessa noite recusavam mesmo o écran onde os seus olhares se confundiam. A menina, porém, ainda não tinha idade para fingimentos tão adultos e subtis, e, sentada no chão, olhava de frente, com toda a sua alma. E então o olhar grande a rugazinha e aquilo de não perceber. “Não percebo”, repetiu.

“O que é que não percebes?” disse a mãe por dizer, no fim da carreira, aproveitando a deixa para rasgar o silêncio ruidoso em que alguém espancava alguém com requintes de malvadez.

“Isto, por exemplo.”

“Isto o quê?”

“Sei lá. A vida”, disse a criança com seriedade.

O pai dobrou o jornal, quis saber qual era o problema que preocupava tanto a filha de oito anos, tão subitamente.

Como de costume preparava-se para lhe explicar todos os problemas, os de aritmética e os outros.

“Tudo o que nos dizem para não fazermos é mentira.”

“Não percebo.”

“Ora, tanta coisa. Tudo. Tenho pensado muito e…Dizem-nos para não matar, para não bater. Até não beber álcool, porque faz mal. E depois a televisão… Nos filmes, nos anúncios… Como é a vida, afinal? ”

A mão largou o tricô e engoliu em seco. O pai respirou fundo como quem se prepara para uma corrida difícil.

“Ora vejamos,” disse ele olhando para o tecto em busca de inspiração. “A vida…”

Mas não era tão fácil como isso falar do desrespeito, do desamor, do absurdo que ele aceitara como normal e que a filha, aos oito anos, recusava.

“A vida…”, repetiu.

As agulhas do tricô tinham recomeçado a esvoaçar como pássaros de asas cortadas.”

 

CARVALHO, Maria Judite de,  O Jornal, 2-10-81

Maria Judite de Carvalho (Lisboa, 18/9/1921 – Lisboa, 1998)
Contista, novelista, cronista, romancista, dramaturga, colaboradora em vários jornais e revistas.
Esposa de Urbano Tavares Rodrigues e mãe da escritora Isabel Fraga.

José Jorge Letria – Urbano: uma carta de afecto

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

José Jorge Letria

Lembras-te, Urbano, do tempo em que os jornais falavam,

apesar de não os deixarem falar

e de os quererem emudecidos de medo,

desse tempo em que falava em nós e por nós

a quimera de uma liberdade prometida

nos livros e nos sonhos que povoavam os livros?

 

Lembras-te, Urbano, das manhãs do “Diário de Lisboa”,

com o Assis Pacheco, o Raul Rêgo e o Pedro Alvim,

vozes cronicando a magia de um quotidiano

em que a única magia que havia

era um novelo de afecto dentro das palavras?

 

Lembras-te, Urbano, do tempo em que escrevias

para a malta da minha idade, nosso irmão mais velho,

erguendo a biblioteca do nosso amor

ao que era livre, exaltante e único?

Lembras-te, Urbano, de teres sido

nosso companheiro de canções

por via dos poemas que escreveste

para a voz límpida e alta do Adriano,

enquanto as portas em redor se fechavam

e as paredes tinham ouvidos

e a beleza das mulheres possuía o toque secreto

do que é perene e intemporal?

 

Lembras-te, Urbano, do timbre doce

da palavra “camaradagem”, a que nunca deixaste de dar

o sentido total e absoluto de um pacto

celebrado com a paixão pelas causas?

 

Lembras-te, Urbano, de teres sido

o irmão mais velho dos cantores, dos poetas,

daqueles que contigo palmilharam os caminhos

da errância e da dádiva, andarilhos dos sonhos

que o cansaço e o medo nunca fizeram prescrever?

 

Lembras-te, Urbano, da tua coragem discreta,

da tua bravura de cavaleiro andante, sem alarde,

das lutas que valiam a pena

e que eram de todos os dias, como o amor,

como o pão, o vinho e a fraternidade?

 

Lembras-te, Urbano, de tudo o que a tua modéstia

não te consente que lembres,

porque eras daquilo em que acreditavas

muito antes de seres de qualquer outra coisa,

porque tinhas a doçura do aço

e a firmeza do granito, porque nunca precisaste

de levantar a voz para mostrares que tinhas razão,

porque nunca disseste a quem te pedia

o consolo de uma palavra amiga,

tivesse a forma de um prefácio ou de um abraço

daqueles que permitem vencer tormentas,

porque nunca fizeste preço para a entrega

nem te bateste por nada em troca do que quer que fosse?

 

Lembras-te, Urbano, do sabor quente, do agasalho

que nos dava a palavra “resistência”,

ponte lançada entre as margens de um rio

que nós sabíamos que acabaria por desaguar

na praça luminosa das nossas canções?

 

Lembras-te, Urbano, dos dias mágicos

que podiam levar ao cárcere ou à morte,

mas que valiam a pena por serem únicos,

como único é tudo o que se ama

enquanto o amor teima em resistir?

 

Lembras-te, Urbano, de ouvir o teu Alentejo

a falar dentro dos teus livros

com a sua voz serena e sábia,

cantochão de uma memória tão antiga

como a das pedras e dos mitos?

 

Lembras-te, Urbano, de tudo o que nos dás

e nos deste, sendo o que sempre foste,

combatente das verdades relativas

que nunca deixaste tornarem-se dogmas,

porque o teu sentido de liberdade nunca o consentiu,

e assim te transformaste num homem

grande como os livros que continuaste a escrever,

portas abertas para a inquietação azul

das perguntas que nunca terão resposta?

 

Lembras-te, Urbano, de tudo o que vales

para nós que te lemos e estimamos,

geminados nesse amor à vida

que se tornou laborioso amor à escrita,

coração altaneiro e livre a marcar o ritmo

de tudo o que ainda nos falta descobrir?

Eu lembro-me, e por isso to digo,

voz colada à memória dos afetos,

como se dissesse: que pobres ficaríamos

se tu não fosses quem és, na escrita

como na vida, fraterno e firme

como o mais perene dos abraços.

(Poema escrito para uma homenagem a Urbano Tavares Rodrigues, na Universidade Nova de Lisboa, em 2011)

RODRIGUES, Urbano Tavares, O Livro Aberto De Uma Vida Impar 

 

José Jorge Letria (Cascais, 08/06/1951)

Poeta, romancista, contista, dramaturgo, autor de literatura infanto-juvenil, coautor de antologias de poesia, jornalista.

 

Urbano Tavares Rodrigues – O Amor à Língua

Fevereiro 9, 2016 - Leave a Response

Urbano Tavares Rodrigues

” O amor à língua, à língua mãe, instrumento de ofício, escada para o paraíso e para os infernos, passa não só pelo culto do rigor, da precisão, mas ainda pela violência apaixonada com que poetas e prosadores a subvertem e transformam.”

RODRIGUES, Urbano Tavares, A Natureza do Acto Criador

Urbano Tavares Rodrigues (Lisboa, 6/12/1923)
Ficcionista, investigador, ensaísta, crítico literário, jornalista, professor universitário.
Pai da escritora Isabel Fraga, esposo de Maria Judite de Carvalho, falecida em 1998.

Prefixos de Origem Latina – Trans-, Tras-,Tres-, Ultra-, Vice-, Vis-, Vizo-

Fevereiro 7, 2016 - Leave a Response

As Vogais

A língua portuguesa é constituída por numerosos elementos de origem latina e grega na formação das suas palavras. O seu conhecimento facilita-nos a compreensão do seu significado.

Eis alguns exemplos:

1. Prefixos de Origem Latina

 

Prefixo                                                          Significado                                                            

trans-, tras-,tres-                                  movimento para além de

Ex.:Transpor; Traspassar; tresloucado

 

ultra-                                                         movimento para além de, excesso

Ex.: Ultramar

                                                            

vice-, vis-,  vizo-                                      substituição,  em vez de                 

Ex.: Vice-rei; visconde; vizo-rei                

                                                                                                           

José Luís Peixoto – A Palavra Literatura

Fevereiro 1, 2016 - Leave a Response

José Luís Peixoto

“(…) Quando se fala de literatura, a verdade é uma palavra grande e perigosa, mas também fundamental.

Não a devemos temer, antes tê-la como um horizonte que, apesar de se afastar à medida que nos aproximamos, define proporções, mede distâncias e equilibra a vida.”

In JL, 11 a 24 de novembro de 2015

José Luís Peixoto (Galveias, Ponte de Sor, Setembro de 1974)
Poeta, romancista, dramaturgo, colaborador de diversas publicações nacionais e estrangeiras, licenciado em LLM, variante de Inglês Alemão.

Helder Macedo – A Importância do Amor

Fevereiro 1, 2016 - Leave a Response

Helder Macedo

“(…) Sem o conhecimento – melhor – sem o reconhecimento do Outro não há amor. E sem amor não há vida, não há identidade própria. Não se saiu da morte de onde se veio e para onde se vai.”

In JL , 11 a 24 de novembro de 2015

Helder Macedo (Krugersdop, África do Sul, 1935)
Poeta, romancista, ensaísta, crítico e investigador literário português, colaborador de antologias, jornais e revistas nacionais e internacionais, licenciado em Estudos Portugueses e Brasileiros e História, doutorado em Letras.

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