Eugénio de Andrade – As Mães

“(…) elas estão em toda a parte onde nasça o sol: em Cória ou Catânia, em Mistras ou Santa Clara del Cobre, em Varchts ou Beni Mellal, porque elas são as Mães.

O olhar esperto ou sonolento, o corpo feito um espeto ou mal podendo com as carnes, elas são as Mães. A tua, a minha, se não tivera morrido tão cedo, sem tempo para que o rosto viesse a ser lavrado pelo vento.(…) Com mãos friáveis teceram a rede dos nossos sonhos, alimentaram-se com a luz coada pela obscuridade dos seus lenços. Provavelmente estão aí desde a primeira estrela. E o que elas duram!(…)

Elas são as mães, ignorantes da morte mas certas da sua ressurreição.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

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