Archive for Setembro, 2006

O Poema da Avó
Setembro 26, 2006

POEMA À CHUVA

Chuva chove, chove chuva…
Era aí de madrugada
Era aí ao nascer do Sol
Choveu tanto, tanto, tanto
que até chegou ao rouxinol.

Rouxinol cantou de noite
e de manhã a cotovia
todos cantam, todos cantam
a toda a hora do dia.

Sines, 20 de Abril de 1999

Agostinho da Silva – Biografia Breve
Setembro 23, 2006

Um dos mais originais pensadores português.

Nasceu a 13 de Fevereiro de 1906 no Porto.

Passou a infância em Barca de Alva.

Licenciou-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Doutorou-se na Sorbonne com uma tese sobre Montaigne.

Conheceu António Sérgio, Raul Proença e Jaime Cortesão, entre outros exilados, em Paris.

Foi para Madrid quando Salazar extinguiu a Faculdade de Letras do Porto onde tinha iniciado a sua docência.

Regressou a Portugal e foi colocado no Liceu de Aveiro.

Foi demitido do ensino oficial, porque se recusou a assinar uma declaração “jurando não ter pertencido ou vir a pertencer a qualquer associação secreta”.

Fixou-se em Lisboa e deu aulas no Colégio Infante Santo – teve como explicandos: Mário Soares, Lagoa Henriques e Borges Coutinho, entre outros.

Colaborou na Seara Nova e n´O Diabo.

Publicou:

Cadernos Iniciação;

Cadernos de Informação Cultural;

Cadernos Antologia, Introdução aos Grandes Autores.

Foi preso pela PIDE e exilou-se – Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Brasil, África e Ásia.

Viveu no Brasil durante vinte e cinco anos onde fundou quatro universidades e criou centros de estudos superiores.

Naquele país leccionou:
– Filosofia;
– Geografia;
– Biologia;
– Sociologia;
– Antropologia;
– Botânica;
– Literatura;
– História;
– Teatro.

Casou, em segundas núpcias, com Judite Cortesão – filha de Jaime Cortesão.

Adquiriu a nacionalidade brasileira em 1958.

Regressou a Portugal em 1969.

Morreu em Lisboa no dia 3 de Abril de 1994.

Destaques bibliográficos:

Sentido Histórico das Civilizações Clássicas (1929);

A Vida de Zola(1938);

A Vida de Francisco de Assis (1938);

Vida de Miguel Ângelo (1942);

Sete Cartas a um Jovem Filósofo (1945);

Reflexões à Margem da Literatura Portuguesa (1958);

As Aproximações(1960);

Educação de Portugal (1989);

Vida Conversável (1994).

Dificuldades da Língua Portuguesa – Senão e Se não
Setembro 23, 2006

 

SENÃO e SE NÃO

Se não queres senãobeber
Qualquer dia cais doente;
Se não fazes por comer,
Não és senão imprudente.

Se um pronome podes pôr
Entre o SE e o NÃO – cuidado
Não esqueças, caro leitor,
Que o SE NÃO é despegado.

E nas palavras em ão
Que mudam o ão em ões
O substantivo senão
Faz no plural senões.

Pedro Pires, Ortografia

SE NÃO

SE: conjunção condicional
NÃO: advérbio de negação

SE NÃO – exprime condição
Ex.: Se não fumar, posso poupar uns euros.
Vou a casa do Gonçalo se não o encontrar na Faculdade.

SENÃO

1. Conjunção com o sentido de quando não.
Ex.: Ricardo, põe a persiana depressa, senão a tia Maria nunca mais se cala.

2. Advérbio com o sentido de: somente, apenas.
Ex.: A Filipa não comeu senão dois rebuçados de morango.
(comeu apenas).

3. Preposição com o sentido de excepto.
Ex.: A Marta não gosto de outro gelado senão de chocolate e noz, mas agora não pode comer.

4. Nome com sentido de: contra, inconveniente, defeito, mácula.
Ex.: Não há bela sem senão.
Dinis, parece-me bem, mas há um senão.

E já que estamos nos “esses”, prestam atenção aos três do Agostinho da Silva:

1.º Ssustento.

2.º Ssaber.

3.º Ssaúde.

Bom fim-de-semana!

Eugénio de Andrade – As Primeiras Chuvas
Setembro 23, 2006

AS PRIMEIRAS CHUVAS

As primeiras chuvas estavam tão perto
de ser música
que esquecemos que o verão acabara:
uma súbita alegria,
súbita e bárbara, subia e coroava
a terra de água,
e deus, que tanto demorara,
ardia no coração da palavra.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

Dificuldades da Língua Portuguesa – Contudo e Com Tudo
Setembro 7, 2006

 

CONTUDOconjunção adversativa, com o significado de: porém, todavia, mas.

Ex.: Gosto muito de ilustrar o que escrevo com imagens, contudo o sistema informático não mo permite.

 

COM TUDOpreposição com + pronome indefinido tudo. Tem valor quantitativo e admite variantes, todo, toda

Ex.: Deixei-lhe uma mensagem sobre a secretária com tudo especificado.

Enviei o requerimento com toda a documentação exigida.

Sophia – Neste Dia de Mar e Nevoeiro
Setembro 7, 2006

Neste dia de mar e nevoeiro
É tão próximo o teu rosto.

São os longos horizontes
Os ritmos soltos dos ventos
E aquelas aves
Que desde o princípio das estações
Fizeram ninhos e emigraram
Para que um dia inverso tu as visses

Aquelas aves que tinham
Uma memória eterna do teu rosto
E voam sempre dentro do teu sonho
Como se o teu olhar as sustentasse.

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o prémio Camões (1999)

Jorge de Sena – Biografia Breve (continuação)
Setembro 6, 2006

Jorge de Sena

1940 – Colabora no último número da “Presença” com uma carta para Casais Monteiro sobre o poema “Apostilha” de Fernando Pessoa.

1941 – Conferência sobre Rimbaud, “O Dogma da Trindade Poética”, a convite de Ruy Cinatti, na Juventude Católica de Lisboa.

1942 – Primeiro livro de poemas, Perseguição.
Colabora em “Aventura”, “Variante” e “Seara Nova”.

1943 – Colabora no “Diário Popular” – mantém até ao fim da vida.

1944 – “Carta a Fernando Pessoa” em ” O Primeiro de Janeiro”.

1945 – Conclui a peça em verso O Indesejado.

1946 – Conferências no Porto sobre: Florbela Espanca e Fernando Pessoa.
Publica Coroa da Terra, poesia.

1948 – Conferência no Porto sobre: A Poesia de Camões.

1949 – Casa com Maria Mércia de Freitas Lopes.

1950Pedra Filosofal – terceiro livro de poesia.
Ensaio sobre Gomes Leal.

1950 – Publica O Indesejado.
Co-dirige a 2.ª série dos “Cadernos de Poesia”

1952 – Publica a peça em 1 acto – Ulisseia Adúltera.

1954 – Palestra sobre “Orpheu”.

1955As Evidências, poema em vinte sonetos.
“Tentativa de um Panorama Coordenado da Literatura Portuguesa de 1901 a 1950” em “Tetracórnio”.

1956 – Conferência em Lisboa: “Da Poesia Maior e Menor” – a propósito de Manuel Bandeira.

1958Fidelidade, quinto livro de poemas.
Líricas Portuguesas, 3.ª série – selecção, prefácio e notas.

1959 – Colabora em “O Estado de São Paulo” – até 1965.
Primeiro livro de Ensaios: Da Poesia Portuguesa.

1960Andanças do Demónio, primeiro livro de contos.

1961 – Segundo livro de ensaios: O Poeta é um Fingidor.

1969 – Conferência em Lisboa sobre: Almada Negreiros, na sua presença.

Peregrinatio ad Loca Infecta. Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular.

1970 – Catedrático da Literatura Portuguesa e Brasileira e de Literatura Comparada na Universidade Santa Barbara, Califórnia.

90 e Mais Quatro Poemas de Constantino Cavafy; A Estrutura de “Os Lusíadas” e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI.

1972 – Visita: Angola, União Sul-Africana e Moçambique.

Exorcismo, décimo livro e poemas.

Trinta Anos de Poesia, antologia.

Poesia de 26 Séculos, tradução, prefácio e notas.

1973Dialética da Literatura.

1976 – Ataque cardíaco grave.
Os Grão-Capitães.

1977 – Sicília – recebe o Prémio Internacional Etna -Taormina.

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades- discursa com Vergílio Ferreira na Guarda.

Encerra o Simpósio Internacional sobre Fernando Pessoa – Brown University.

Participa no 6.º Congresso de Hispanistas,Toronto.

Conferências: Internacional Americana, Novo México; comemorativa do centenário da morte de Alexandre Herculano, Consulado Português em São Francisco.

Sobre Esta Praia…- Oito meditações à beira do Pacífico, poesia.

Sobre Régio, Casais, a “Presença” e Outros Afins.

O Físico Prodigioso, primeira edição isolada.

Dialéticas da Literatura, 2.ª ed. ampl. do vol. de 1973.

1978 – 4 de Junho, morre Jorge de Sena, em Santa Barbara, EUA.

Condecorado, postumamente, com a Ordem de Sant´Iago de Espada – fora-lhe anunciado pelo Presidente da República, na ante-véspera, telefonicamente.

Mécia de Sena assume a organização, publicação e reedição da obra de seu marido – ” A mais grata e cruel tarefa que jamais me foi dado cumprir.”