Zeca Afonso – Biografia

1929, 2 de Agosto – Nasce José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos em Aveiro, Largo das Cinco Bicas.

1933 – Viaja no paquete “Mouzinho” em direcção a Angola onde o pai fora colocado como delegado do procurador da República no Bié.

1937 – Parte para Moçambique ao encontro dos pais.

1938 – Completa a instrução primária em Belmonte.
Os pais são presos em Timor e enviados para um campo de concentração, na sequência da invasão dos japoneses, e Zeca Afonso deixa de ter notícias da família durante três anos.

1940 – Frequenta o Liceu D. João III em Coimbra onde vive na casa de uma tia.
É conhecido por “Turcopês”, porque transformava nas aulas de educação musical: ”Portugueses não temem revezes” por “Turcopezes não metem verrezes”.
Interessa-se por cantigas e começa a jogar futebol.
Conhece o guitarrista António Portugal.

1949 – Ingressa no curso de Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Coimbra.
Integra o Orfeão Académico e da Tuna da Universidade de Coimbra.
Torna-se um dos criadores do grupo coral do Colégio de Órfãos, que daria origem ao Coro da faculdade de Letras.
É conhecido como intérprete de fados e baladas.
Casa-se, tem dificuldades financeiras, faz a revisão do “Diário de Coimbra” e tem dois filhos, os quais, após o divórcio dos pais, vão viver para África com os avós.

1943-55 – Destaca-se pela sua “distracção” e dificuldade em dar ordens durante o cumprimento do serviço militar no COM da Escola de Oficiais Milicianos de Infantaria de Mafra.

1956 – Dá a sua primeira aula de História de capa e batina num colégio particular de Mangualde.
Ao longo da sua carreira de professor do ensino secundário dará aulas em: Aljustrel, Lagos, Faro, Alcobaça e novamente em Faro.

1958 – Grava o primeiro disco – Baladas de Coimbra.
Em Lagos, acompanha o movimento das eleições presenciais em que o general Humberto Delgado é concorrente.
Em Faro, constitui um grupo de amigos da natureza e da poesia – Luísa Neto Jorge, António Barahona da Fonseca, Manuel Pité, Jo´se Louro e António Bronze.

A “ Balada de Outono”, que gravará pouco depois, marca a revolução musical.

1960 – Agitação no meio estudantil coimbrão, após a eleição de uma lista da esquerda académica.
“Os Vampiros” de Zeca Afonso e outras baladas marcam presença.

1961 – Conhece Zélia em casa de Luísa Neto Jorge e António Barahona da Fonseca, em Faro, com que virá a casar-se, de quem terá dois filhos, e a quem dedicará a canção: “ Maria, nascida no monte , à beira da estrada”.

1963 – Conclui o curso superior, que interrompera, com uma tese sobre Sartre.

1964 – Viaja para Moçambique como professor de Liceu, na tentativa de aproximar-se dos filhos mais velhos, acompanhado por Zélia.
Envolve-se em actividades políticas junto dos seus alunos, dos quartéis do exército colonial e do Centro Associativo de Lourenço Marques.
Colabora com o Teatro de Amadores da Beira.

1967 – Regressa a Portugal, na sequência de problemas com a administração colonial e fixa-se na zona de Setúbal como professor de Liceu.
É vítima de um esgotamento cerebral e internado durante um mês e posteriormente é expulso do ensino.
Vive com dificuldades, de explicações e dos discos que grava com regularidade.
Edição do 1.º LP, “ Baladas e Canções”

É publicada a 1.ª edição do livro: “Cantares de José Afonso” – 2.ª no ano seguinte – com notas do próprio e duas quadras de “Grândola”.

1968 – Grava o segundo álbum: “Cantares de Andarilho” e o single “ Menina dos Olhos Tristes”.

1969 – Participa no primeiro encontro da “La Chanson Portugaise de Combat” na Mutualité, Paris e na campanha para a eleição de deputados à Assembleia Nacional pela Comissão Democrática Eleitoral de Setúbal.
Grava o LP “ Contos Velhos, Novos Rumos”
É-lhe atribuído o Prémio da Casa de Imprensa pelo melhor disco.

1970 – Grava: “Traz Outro Amigo Também” – textos de apresentação de Bernardo Santareno.
Edição do livro: “Cantar de Novo” com uma introdução às Canções de José Afonso por António Cabral.
É-lhe atribuído o Prémio da Casa de Imprensa pelo melhor disco.

1971 – Actua no Festival de Vilar de Mouros.
Grava em França, Herouville, de 11 de Outubro a 4 de Novembro, o álbum “Cantigas de Maio”.
É-lhe atribuído o Prémio da Casa de Imprensa pelo melhor disco.

1972 – Desloca-se ao Rio de Janeiro , na sequência de uma votação popular promovida pelo “Diário de Lisboa”, a fim de apresentar a canção: ”A Morte Saiu à Rua”, em homenagem ao escultor comunista José Dias Coelho, assassinado pela PIDE.
É publicado o livro: “José Afonso” pela Livraria Paisagem, Porto, apresentado e coordenado por José Viale Moutinho.
Sai o álbum “Eu vou ser como a Toupeira”.

1973 – Participa no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro cantando, entre outros: “O que faz falta”.
´E preso em Caxias.
O álbum “Venham Mais Cinco” é gravado em Paris, no final do ano, com a colaboração de José Mário Branco.

1974, 29 de Março – Participa no Encontro da Canção Portuguesa no Coliseu – a PIDE e a censura só permitem que cante: “Milho Verde” e “Grândola Vila Morena”.
25 de Abril – encontra-se escondido em casa de uns amigos.
Grava em Londres, no final do ano, ”Coro dos Tribunais”.

1976 – Grava o álbum: “Com as Minhas Tamanquinhas”.
É-lhe atribuído o prémio Internacional de Folclore pela Deutscher Phono Akademie da RFA.

1978 – O disco “Cantigas de Maio” é considerado o melhor de sempre.
José Afonso é o responsável pela música de “Zé do Telhado”.

1979 – Participa no Festival da Canção em Bruxelas.

1980 – Publica um pequeno volume de quadras populares e na RFA sai ”Eh! Zeca Afonso! – canções e textos de Portugal”.

1981 – Actua em Paris, dá dois concertos no Auditório Carlos Alberto no Porto e canta no II Encontro Mundial da Juventude Trabalhadora da CISL, Sevilha.

1982 – Moçambique recebe-o e Samora Machel acolhe-o como a um Chefe de Estado.
Surgem os sintomas da doença e procura resposta para a sua situação em vários países.

1983 – É reintegrado no ensino oficial.
Últimos espectáculos em Lisboa e no Porto.
Edição dos álbuns: “José Afonso ao vivo no Coliseu” e “Como se fora seu filho”.

1984 – Costa Pinheiro e Júlio Pomar prestam homenagem a José Afonso com duas serigrafias originais.

1985, 28 de Janeiro – Homenagem a José Afonso no Thêatre de La Ville.
Dezembro, último disco: “Galinhas do Mato”

1986 – Quase não abandona o seu domicílio.

1987, 23 de Fevereiro José Afonso morre no Hospital de Setúbal.

2 Respostas

  1. […] Beira, quando deu ali deu aulas por um período, musicou Brecht na peça A Excepção e a Regra e colaborou com o Teatro de Amadores da […]

  2. personal struggle

    Zeca Afonso

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