Eugénio de Andrade – Matinal

As estridulações das cigarras e a brisa marinha embalam a madrugada sob a vigília dourada do farol e um céu de estrelas adormecidas.
A respiração suspende-se para beber sofregamente este trago de bom dia.
A voz do poeta ergue-se…
” Podes confiar-me sem receio
as pequenas tarefas matinais.
Deixa ficar as nuvens,
a poeira acesa nos telhados,
os martelos da tristeza sobre a mesa.
O meu país é entre junho e setembro,
antes da primeira neve chama por mim”.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

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