Archive for Novembro, 2007

Cozinhar à Portuguesa
Novembro 28, 2007

O cozido à portuguesa, arroz, vaca, legumes, um naco de toucinho, presunto e chouriço, era e é ainda em todo o País o prato preferido da mesa burguesa.

O Alentejo tem de especial as migas e a açorda com dente de alho, azeite e água de bacalhau, com fatias de genuíno pão de família.
À beira-mar, a caldeirada, peixe com azeite, tomate e cebola, é a comida preferida.

O Algarve, além do seu gosto por iguarias estranhas, como os caracóis e os figos de piteira, condimenta especialmente os seus pratos com tomate.

Aquilino Ribeiro

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Maria Alberta Menéres – O Girassol
Novembro 28, 2007

Girassol, Girassol,
Põe as pestanas ao sol!

O Girassol parece um olho aberto
Amarelo a olhar para tudo.

Passa uma perdiz e diz:
– Girassol, Girassol,
Põe as pestanas ao sol!

Passa uma abelha e diz:
– Girassol, Girassol,
Põe as pestanas ao sol!

Passa a tarde e anoitece…
Girassol, Girassol,
Fecha as pestanas ao sol!

E o Girassol adormece…

Maria Alberta Menéres

Raul Brandão – As Andorinhas
Novembro 28, 2007

“Portugal, nos primeiros dias de Primavera, é coberto de asas e o céu azul chilreia.
Toda a gente espera as andorinhas.
Conhecem Portugal a palmos: as eiras do Minho, com punhados de milho, e as vastas eiras do monte alentejano; os descampados do Sul e o homem do Algrave que pesca o atum na costa.”

Raul Brandão

Eugénio de Andrade – Metamorfoses da palavra
Novembro 28, 2007

A palavra nasceu:
nos lábios cintila.

Carícia ou aroma,
mal poisa nos dedos.

de ramo em ramo voa,
na luz se derrama.

A morte não existe:
tudo é canto e chama.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

Cecília Meireles – O Último Andar
Novembro 24, 2007

No último andar é mais bonito:
do ultimo andar se vê o mar.
É lá que eu quero morar.

O último andar é mais longe:
custa muito a lá chegar.
Mas é lá que eu quero morar.

Todo o céu fica a noite inteira
sobre o último andar.
É lá que eu quero morar.

Quando faz lua, no terraço
fica tudo luar.
É lá que eu quero morar.

Os passarinhos lá se escondem,
para ninguém os maltratar,
no último andar.

De lá se avista o Mundo inteiro,
tudo parece perto, no ar.
É lá que eu quero morar:
no último andar.

Cecília Meireles