Archive for Dezembro, 2007

Vinicius de Moraes – Se Todos Fossem Iguais a Você
Dezembro 25, 2007

Acabei de abrir o teu presente de Natal com afagos que o vento faz às pétalas das mais belas flores e encontrei-te ocasional e imediatamente na página 46:

Se Todos Fossem Iguais a Você

Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
Ah, tua vida
É uma linda canção de amor

Abre teus braços e canta
A última esperança
Esperança divina
De amar em paz

Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar

Como o sol
Como a flor
Como a luz

Amar sem mentir
Nem sofrer
Existir a verdade
Verdade que ninguém vê

Se todos fossem, no mundo,
iguais sa você…

Vinicius de Moraes

Obrigada, amiga!

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Afonso Lopes Vieira – O Segredo do Mar
Dezembro 17, 2007

A “Flor do mar” avançando
navegava, navegava,
lá para onde se via
o vulto que ela buscava.

Era tão grande, tão grande
que a vista toda tapava!

E Bartolomeu erguido
aos marinheiros bradava
que ninguém tivesse medo
do gigante que ali estava.

E mais perto agora estão
do que procurando vão!

Bartolomeu que viu?
Que descobriu o valente?
-Que o gigante era penedo
que tinha forma de gente!

Que era dantes o mar? Um
quarto escuro
onde os meninos tinham
medo de ir.
Agora o mar é livre e é seguro
e foi um português que o foi
abrir!

Afonso Lopes Vieira

Ary dos Santos – Aprender a Estudar
Dezembro 17, 2007

Estudar não é só ler livros
que há nas escolas.
É também aprender a ser livre
sem ideias tolas.
Ler um livro é muito importante
às vezes urgente.
Mas os livros não são o bastante
para a gente ser gente.
É preciso aprender a escrever
mas também a viver
mas também a sonhar.
É preciso aprender a crescer
aprender a estudar.

Estudar também é repartir
também é saber dar.

Ary dos Santos

Chico Buarque – A Banda
Dezembro 17, 2007

Eu estava à toa na vida
o meu amor me chamou
p´ra ver a banda passar
cantando coisas de amor.

A moça triste que vivia calada
sorriu.
A rosa triste que vivia fechada
abriu.
E a meninada toda se assanhou
p´ra ver a banda passar
cantando coisas de amor.

O velho fraco esqueceu seu cansaço
e pensou
que ainda era moço p´ra sair do terraço
e dançou…
E a moça feia debruçou-se na varanda
pensando que a banda tocava p´ra ela…

A marcha alegre espalhou-se no ar,
insistiu,
a lua cheia vivia escondida
surgiu.

A minha cidade toda se enfeitou
p´ra ver a banda passar
cantando coisas de amor.

Chico Buarque

Lopes Morgado – Decreto
Dezembro 17, 2007

I

Fica decretado:
A partir de hoje vai ser assim,
assim,
assim…

II

Último decreto:
Decreto
que fica proibido decretar
assim.

Lopes Morgado

Raul Brandão – Um Dia de Pesca
Dezembro 17, 2007

“Manhã…
No horizonte cada vez mais azul, começo a distinguir centenas de velas dos barcos que largam todas as noites para a pesca da sardinha.

Meio dia… O sol aperta.
Uns atrás dos outros os barcos regressam para despejar o peixe miúdo.

Duas, três horas…
Aparecem homens magros e queimados e mulheres com a saia pela cabeça para comprarem os montes de sardinha espalhados no areal.

São seis horas…
Ouve-se o chapinhar das redes que lavam e os gritos das gaivotas assustadas…
As varinas carregam à pressa as últimas canastras.
Já um raio de luar vem reluzir na água, e depois nos peixes por vender.!

BRANDÃO, Raul, Os Pescadores

Raul Brandão

Carlos Paião – Uma Árvore, um Amigo
Dezembro 17, 2007

Uma árvore, um amigo
que devemos bem tratar,
um amigo de verdade
tão fiel como a amizade
que podemos cultivar.

Sabes que uma árvore
é um pouco de beleza
que protege a natureza
e purifica o nosso ar.
Dá-nos a madeira
e tanta coisa, que fascina.
A cortiça ou a resina
mais a fruta no pomar.

Oh! Vamos fazer uma floresta.
Vem plantar, amigo, uma festa
tão rica e modesta.
Vamos semear.

Sabes que uma árvore
é um bem de toda a gente
não estragues o ambiente
não lhes sujes o lugar.

Vamos, vamos, vamos
defender a nossa vida
que uma árvore esquecida
pode às vezes ajudar.

Sim, vamos fazer uma floresta.
Vem, plantar, amigo, uma festa
tão rica e modesta.
Vamos semear.

Carlos Paião

Raquel Delgado – O Arco-da-Velha
Dezembro 17, 2007

O arco-da-velha
tem sete cores
do encarnado
ao violeta.

Quando a menina
espreita à janela,
pisca-lhe os olhos,
faz-lhe caretas.

O arco-íris
todo irritado
quer ir-se embora
muito zangado.

E a menina
fica à janela
dizendo adeus
com a mão dela.

Raquel Delgado

Sebastião da Gama – Poesia
Dezembro 15, 2007

Ai deixa, deixa lá que a Poesia
no perfume das flores, no quebrar
das ondas pela praia,
na alegria
das crianças que se riem sem porquê
– deixa lá que se exprima, a Poesia.

Sebastião da Gama

O Essencial
Dezembro 15, 2007

O essencial é saber ver,
sabe ver sem estar a pensar,
saber ver quando se vê
e nem pensar quando se vê,
nem ver quando se pensa.

Fernando Pessoa