Archive for Junho, 2008

Florbela Espanca – Coração Despedaçado
Junho 30, 2008

“Fizeram-me ruínas todas as minhas ilusões, e, como todos os corações verdadeiramente sinceros e meigos, despedaçou-se o meu coração sempre.”

Florbela Espanca

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Sophia – O Dia
Junho 30, 2008

Passa o dia contigo
Não deixes que te desviem
Um poema emerge tão jovem tão antigo
Que nem sabes desde quando em ti vivia

Sophia
(Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)

Dificuldades da Língua Portuguesa – Perda e Perca
Junho 29, 2008

Perda – substantivo deverbal – ou pós-verbal -, formado por derivação regressiva do verbo perder, que significa prejuízo.

Ex.: A empresa teve uma grande perdae aberto.

Perca

– 1.ª e 3.ª pessoa do singular do presente do conjuntivo do verbo perder.

Ex.: Espero que ele não perca o controlo da situação.

– substantivo feminino – peixe.

Ex.: A perca é um peixe que nunca provei.

Natália Correia – “Eu vou ser livre”
Junho 29, 2008

“Eu vou ser livre na prática quotidiana de um sonho difícil.”

Natália Correia
(Fajã de Baixo, S. Miguel, 13/9/1923 – Lisboa, 16/3/1993)

Fiama Hasse Pais Brandão – Poetas do Amor
Junho 29, 2008

Senão todos algum
de nós reproduz diversos os mesmos lugares.
E aquela que entra no verso para o
percorrer
atrás da tua sombra serei eu.

Fiama Hasse Pais Brandão
(Lisboa, 15/8/1938 – Lisboa, 19/1/2007)

Amália Rodrigues – Lágrima
Junho 29, 2008

Cheia de penas
Cheia de penas me deito
E com mais penas
Com mais penas me levanto
No meu peito
Já me ficou no meu peito
Este jeito
O jeito de te querer tanto

Desespero
Tenho por meu desespero
Dentro de mim
Dentro de mim um castigo
Não te quero
Eu digo que não te quero
E de noite
De noite sonho contigo

Se considero
Que um dia hei-de morrer
No desespero
Que tenha de te não ver
Estendo o meu xaile
Estendo o meu xaile no chão
Estendo o meu xaile
E deixo-me adormecer

Se eu soubesse
Se eu soubesse que morrendo
Tu me havias
Tu me havias de chorar
Uma lágrima
Por uma lágrima tua
Que alegria
Me deixaria matar

Amália Rodrigues
(Lisboa, 23/6/1920 – Lisboa, 6/10/1999)

Cecília Meireles – Os Intransigentes
Junho 28, 2008

“Os intransigentes são os refratários à evolução.
Porque a própria vida é uma transigência contínua.
Dentro do seu ritmo, tudo se renova, cada dia. (…)

Ser intransigente é apenas agarrar-se a uma dessas ilusões transitórias e fechar os olhos para todas as coisas que já passaram e as que vierem a passar, com uma verdadeira indiferença pelo esforço humano que, através de todas as suas experiências, vem construindo o tema da sua passagem pelo mundo.

Ser intransigente é, pois, também, desprezar covardemente a própria humanidade. É desconhecer por completo essa alegria de acompanhar o movimento do espírito humano, saudando com encanto cada um dos instantes, não porque traga esta ou aquela soma de benefícios, mas simplesmente porque pertence à vida – e a vida é um dom extraordinário…”

Cecília Meireles
(Rio de Janeiro, 7/11/1901 – Rio de Janeiro, 9/11/1964)

Alice Vieira – Os Próximos Homens e Mulheres
Junho 28, 2008

“Os próximos homens e mulheres serão aquilo que nós fizermos das crianças de hoje, elas são o nosso melhor investimento, e no entanto as crianças são as mais maltratadas, esquecidas, ignoradas…”

Alice Vieira,
(Lisboa, 1943)

Agustina Bessa Luís – Escrever
Junho 28, 2008

“Tenho que escrever. É uma espécie de fatalidade.”

Agustina Bessa Luís (Vila Meã, Amarante, 15/10/1922)
Romancista, dramaturga, novelista, contista, ensaísta, autora de biografias e literatura infantil, colaboradora de diversas publicações periódicas, detentora de vários prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2004.

Carta de Eduardo Lourenço para Urbano Tavares Rodrigues
Junho 27, 2008

“Carta para um amigo”

Há meio século estávamos os dois em Paris, já então a tua cidade, onde me iniciei nos seus pequenos mistérios, que eram só os do nosso Quartier Latin, pela tua mão e da Zita, tua silenciosa companheira, que era ainda a original autora de Tanta Gente Mariana. Hoje, a capital cultural do teu Alentejo, ofereceu-te o seu aspecto branco para nele evocar o teu polifónico itinerário, então no seu início, de jornalista, de romancista, de ensaísta, de professor e de homem atento e militante de tantos combates de um século que não foi parco deles. (…)”

Eduardo Lourenço
Vence, 29 de Janeiro de 2003

 

Eduardo Lourenço (S. Pedro de Rio Seco, 23/5/1923)
Ensaísta, filósofo, intelectual, professor universitário, distinguido com o Prémio Camões em 1996.