Eugénio de Andrade – Despedida

Faz hoje três anos que, “como se houvesse uma tempestade”, o “Geninho” nos disse Adeus sem, contudo, nos ter deixado, porque a Canção das suas Palavras é A Música do Coração Habitado onde “É urgente o amor, é urgente/permanecer”…

Viagem

Iremos juntos separados,
as palavras mordidas uma a uma,
taciturnas, cintilantes
– ó meu amor, constelação de bruma,
ombro dos meus braços hesitantes.
Esquecidos, lembrados, repetidos
na boca dos amantes que se beijam
no alto dos navios;
desfeitos ambos, ambos inteiros,
no rasto dos peixes luminosos,
afogados na voz dos marinheiros.

Eugénio de Andrade (Fundão, 19/1/1923 – Porto, 13/6/2005)

Despedida

Colhe
todo o oiro do dia
na haste mais alta
da melancolia.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

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