Alberto de Oliveira (Portugal) – Do Neogarrettismo no Teatro

“Seria preciso fundar um neogarrettismo, e fazer aos Novos decorar o Frei Luiz, interpretá-lo e marginá-lo de comentários piedosos como fazem os stendhalianos ao seu mestre.

Garrett fora sobretudo um grande e activo agitador de ideias, o chefe duma escola qua ainda não teve um discípulo. Ele sonhou, com olhos de génio, uma literatura portuguesa nova, pujante, toda de regresso às tradições, com a melancolia e o maravilhoso do povo, e logo procurou fornecer modelos para todos os géneros de arte: assim renovou o Teatro, organizou o Romanceiro, escreveu romances nacionais, exaltou a nossa Paisagem, enfim, compôs esses divinos dois volumes das Viagens na Minha Terra.

Garrett, mais que nenhum outro escritor português deste século, pela sua variedade de aptidões, pronta emoção e senso artístico, pela sua aguda e vasta inteligência crítica, merece que inscrevamos o seu nome em nossos blasões de campanha, e de olhos fitos na sua obra, vamos seguindo os caminhos inexplorados que ele apenas indicou, sem ter tido tempo de os percorrer.”

Alberto de Oliveira (Porto, 16/11/1873 – Porto, 23/4/1940)
Poeta, memorialista, cronista, crítico, colaborador da Revista Bohemia Nova, diplomata.

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