Archive for Novembro, 2008

Luiz Fagundes Duarte – As Duas Faces da Língua
Novembro 30, 2008

“(…) um linguista como eu não resiste à tentação do prazer de ver como funcionam artisticamente, nas suas mãos e depois de ter observado como funcionam nas mãos alheias, os materiais que profissionalmente está habituado a observar enquanto peças de um mecanismo de precisão. (…)”

Luiz Fagundes Duarte (Serreta, Angra do Heroísmo, 6/10/1954)
Crítico literário, ficcionista, professor catedrático, licenciado em Filologia Românica, mestre em Linguística Portuguesa Histórica, doutor em Línguas e Literaturas Românicas, Linguística Portuguesa.

Ruy Cinatti – Três Poemas
Novembro 30, 2008

(Poemas escritos na toalha de papel de um obscuro restaurante do Cais do Sodré, durante um jantar com amigos)

A meio vaga, a simples figura
de uma mulher colhendo papoilas
O ar ameno, uma livre brisa
adejando folhas já sem nome

A nossa vida une-se à imagem
anteriormente vista, imaginada.
O que lhe falta, ó meu Deus, acode
a essa mulher, minha personagem!

Escrever não posso. Sei o que quero.
Não me defino por números ou por ions
caminhos em que me dilacero.
Sem me atingir em coisa nenhuma…
Meu alor ultrapassa a minha morte,
0 nosso devir quotidiano,
assim os ciclos da cultura anímica,
da natureza: livre e altura.

No entanto escrevo e sei o que digo,
humilde como sou na minha idade.
O que desejo – aquilo que eu quero
Não perturba a minha eternidade.

Para o Luiz Fagundes Duarte, ouvindo um diálogo com José Duro
21/2/85 Ruy Cinatti

Ruy Cinatti (Londres, 8/3/1915 – Lisboa, 12/10/1986)
Poeta, agrónomo, antropólogo, co-fundador de Cadernos de Poesia, 1940.

Três Escritores do Movimento Surrealista Português
Novembro 30, 2008

Da esquerda para a direita: Mário-Henrique Leiria, Mário Cesariny e Carlos Eurico da Costa, 1949

Teixeira de Pascoaes – O Poeta
Novembro 30, 2008

” O poeta é um enviado. Vem ao mundo afirmar as superiores Prostestades que misteriosamente presidem ao drama da vida e lhe dão um sobrenatural sentido. Vem sublimar o vulgar, revelar o grande que as pequenas coisas escondem, converter o ruído em harmonia e a harmonia em melodia.”

Teixeira de Pascoaes (Amarante, 8/11/1877- Gatão, 14/12/1952)
Poeta, prosador, licenciado em Direito.

Fernando Dacosta – Portugal e a Violência
Novembro 30, 2008

“(…) Portugal nasceu (…) de um acto violento: a rebelião de um filho contra a mãe (…); a República nasceu de um acto brutal (…).

Os maiores mitos nacionais, o Pedro e Inês e o do Sebastianismo, brotaram de actos de desvario (…).

Alguns vultos cimeiros das letras, do pensamento, das artes, suicidaram-se, deixaram-se (continuam a fazê-lo) destruir.

As descobertas, a Inquisição, a História Trágico-Marítima, as guerras coloniais, os totalitarismos (ideológicos, mercantis) são-nos elos de uma violência contínua ao longo dos séculos (…)”

Fernando Dacosta (Luanda, 12/12/1945)
Jornalista, romancista, dramaturgo, contista, licenciado em Filologia Românica.

José Rodrigues Miguéis – Cartaz
Novembro 29, 2008

José Rodrigues Miguéis(Lisboa, 9/12/1901 – Nova Iorque, 27/10/1980)
Contista , novelista, romancista, dramaturgo, cronista, membro do Grupo Seara Nova, colaborador dos jornais O Diabo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e República, co-director de Semanário <em<O Globo, tradutor e redactor das Selecções do Reader´s Digest, licenciado em Direito e Ciências Pedagógicas.

José Régio – A Presença
Novembro 29, 2008

“Para mim a Presença teve uma acção muito importante no Modernismo português, que tinha aparecido com a revista Orpheu. Foi uma fase verdadeiramente revolucionária.

Mas o Orpheu não tinha críticos. A Presença veio tomar uma consciência crítica do Modernismo português. (…)”

José Régio (Vila do Conde, 17/09/1901 – Vila do Conde, 22/12/1969)
Pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira.
Poeta, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta, crítico, desenhador, coleccionador, licenciado em Filologia Românica.

Jorge de Sena – Espera
Novembro 29, 2008

Canções ecoam mansas pelos vales
e sobem as montanhas docemente
e delas adormece o solo quente
e eu sobre ele sonho a cor dos males…

Tudo está em mim à espera que tu fales…
Por essa terra fora, terra quente
só aos ecos respondem docemente
os sons cruéis que eu quero que tu cales!…

A tua voz vem com a dos ecos…
ao pé de mim só estalam ramos secos…
e de ti nada chega aos meus ouvidos

E em mim vou sempre esperando a tua voz…
Será somente o meu pensar em nós?
Ou tocar-me.á em todos os sentidos?…

Jorge de Sena (Lisboa, 2/11/1919 – St.ª Bárbara, Califórnia, 4/6/78)
Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico, tradutor, professor catedrático, licenciado em Engenharia Civil e doutorado em Letras.

Joaquim Pessoa – Vem
Novembro 29, 2008

Perfil de primavera
Nas mãos que eu ergo acima desta ausência.

O meu sangue desperta, cria raízes no teu sangue
Nos jardins desertos da nossa solidão.

As minhas mãos, as tuas mãos, os corpos abraçados
E a única cidade construída para o nosso amor:

Nua, inquieta.
Clandestina.

A tua boca no meu peito. Os beijos
Demorados. E todos os silêncios.

As ruas que eu abri no teu olhar
Começam nos meus dedos.

Vem,
Eu amo-te.

Joaquim Pessoa(Barreiro, 1948)
Poeta, artista plástico, professor.

Jorge Gomes Miranda – O Frio
Novembro 29, 2008

Quase inofensivo
se o acolhermos.
Quase mortal
se alguém
fecha uma porta.

Jorge Gomes Miranda (Porto, 1965)
Poeta, critíco literário, professor, licenciado em Filosofia.