Archive for Março, 2009

José de Alencar – Prólogo de O Guarani
Março 31, 2009

“Prólogo *

Minha prima. – Gostou da minha história, e pede-me um romance; acha que posso fazer alguma coisa neste ramo da literatura.

Engana-se; quando se conta aquilo que nos impressionou profundamente, o coração fala; quando se exprime aquilo que outros sentiram ou podem sentir, fala a memória ou a imaginação.

Esta pode errar, pode exagerar-se; o coração é sempre verdadeiro, não diz senão o que sentiu; e o sentimento, qualquer que ele seja, tem a sua beleza.

Assim, não me julgo habilitado a escrever um romance, apesar de já ter feito um com a minha vida.

Entretanto, para satisfazê-la, quero aproveitar as minhas horas de trabalho em copiar e remoçar um velho manuscrito que encontrei em um armário desta casa, quando a comprei.

Estava abandonado e quase todo estragado pela humidade e pelo capim, esse roedor eterno, que antes do dilúvio já se havia agarrado à arca de Noé, e pôde assim escapar ao cataclisma.

Previno-lhe que encontrará cenas que não são conuns actualmente; não as condene à primeira leitura, antes de ver as outras que as explicam.

Envio-lhe a primeira parte do meu manuscrito, que eu e Carlota temos decifrado nos longos serões das nossas noites de Inverno, em que escurece aqui às cinco da tarde.

Adeus.

Minas, 12 de Dezembro.

*Este prólogo foi publicado apenas nos folhetins do Diário do Rio de Janeiro, e na 1.ª edição (N.E).”

ALENCAR, José de, O Guarani

Jose de Alencar (Messejana, 1/5/1829 – Rio de Janeiro, 12/12/1877)
Romancista, cronista, dramaturgo, crítico, jornalista, orador, polemista, político, advogado.

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Archivo Contemporaneo – Periodico Illustrado
Março 30, 2009

Archivo Contemporaneo Periodico Illustrado – revista literária, dedicada às letras e às artes, editada no Rio de Janeiro em 1872, quinzenalmente, sob a responsabilidade de Castorino Palhares com ilustrações do Dr. Joaquim Saldanha Marinho e Le Coucon.

Colaboradores desta revista literária: Alvares de Azevedo, Celso Magalhães, Eduardo Garrido, Felipe Ferreira, Ferreira Guimarães, Gregório de Almeida, Luis Guimarães Júnior, M. A. Duarte Azevedo, Paula Barros, Pereira Roças, Pires de Almeida e Silvo Ramos.

No rosto deste exemplar:

Jose de Alencar (Fortaleza, 1/5/2829 – Rio de Janeiro, 12/12/1877)
Romancista, cronista, dramaturgo, crítico, jornalista, orador, polemista, político, advogado.

Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21/6/1839 – Rio de Janeiro, 29/9/1908)
Poeta, romancista, dramaturgo, contista, tetralogista, jornalista, considerado um dos maiores vultos da literatura brasileira.

Alexandre Vargas – Nas Mãos Sinto a Luz
Março 28, 2009

Nas mãos sinto a luz, a êxul luz
que vem das paliçadas da mansão,
a luz azul em clarificada zona então
aproxima de mim o seu facho de horizonte.

E logo eu a lembrar o querido monte
em que pousada estava sobracente a ramaria,
e logo eu então a pedir à maresia
que nos brilhos unos do futuro aproximasse

esse rumor de aves onde os raios enfeitasse
e eu oco no caminho que me guia
contivesse as minhas mágoas do passado,

e surgisse ali a minha alma em fogo-fátuo
estivesse eu em toda a dimensão do brusco
a nascer das folhas com a boca

Alexandre Vargas (Lisboa, 31/12/1952)
Poeta, tradutor, colaborador em jornais e revistas, licenciado em Filologia Românica, filho do escritor José Gomes Ferreira.

José Gomes Ferreira – Luar Azul
Março 28, 2009

Luar azul
que levanta do chão
as paisagens do mundo.
E sustém no ar
bosques de vento,
flores de frio,
pedras com asas,
caminhos de estrelas…
… e este sussurro dos bichos
pousados nas nuvens a cantar
o espanto do sol ser azul no luar…
(…)

FERREIRA, José Gomes, Poesia III

José Gomes Ferreira, (Porto, 9/6/1900 – Lisboa, 1985)
Poeta, jornalista – colaborador da Presença e Seara Nova -, membro do Novo Cancioneiro, compositor musical, tradutor de filmes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, licenciado em Direito, cônsul na Noruega, pai do arquitecto Raul H. Ferreira e do poeta Alexandre Vargas.

Rodrigues Lapa – O Bom Estilo
Março 28, 2009

“No bom estilo não se diz nem de mais nem de menos; diz-se o que é preciso, na medida exacta do que se pensa e sente, com vigor e com clareza. E pecar, por pecar, antes pecar por sobriedade do que por inútil sobrecarga de palavras.”

LAPA, M. Rodrigues, Estilística da Língua Portuguesa

Manuel Rodrigues Lapa (Anadia, 22/4/1897 – Anadia, 28/3/1989)
Filólogo, escritor, ensaísta, crítico e investigador literário, jornalista – Director de O Diabo e Seara Nova-, professor catedrático.

Eugénio de Andrade – Do Sul
Março 28, 2009

O branco branquíssimo do muro:
a beleza concreta, acidulada,
do rigoroso espírito do Sul.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

Al Berto – O Mar
Março 28, 2009

“quando escrevo mar
o mar todo entra pela janela
onde debruço a noite do rosto tocado… me despeço”

Al Berto (Coimbra, 11/1/1948-Lx, 13/6/1997)
Pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares.
Poeta, pintor, editor, animador cultural, um “coimbrense-siniense” único.

Dificuldades da Língua Portuguesa – Pronúncia Correcta – Florida
Março 27, 2009

FLORIDA é o nome de uma península americana, que foi descoberta no dia de Ramos – Pascoa Florida – e cujo nome foi atribuído pelo espanhol Juan Ponce de León, que deve pronunciar-se com o acento tónico no i – Florida -, tal como o particípio passado do verbo florir, porque é uma palavra grave.

Maria Andresen – O Rosto
Março 27, 2009

Dá-lhes o mais parado rosto
o que no mundo acompanha a
dispersão do nome

Guarda para ninguém o teu rosto sob a fala

ANDRESEN, Maria, Livro das Passagens

Maria Andresen (Porto, 1948)
Poetisa, co-autora dos Cadernos de Literatura, ensaísta, professora na FLUL, licenciada em Filologia Românica, mestre em Ensino da Literatura, doutorada em Literatura Comparada, filha da poetisa Sophia de Melo Breyner Andresen.

Miguel Sousa Tavares – Sobre o Equador
Março 27, 2009

“Escrevi como um exercício de liberdade. Não escrevi por dinheiro, nem para ser um best-seller, ou para acrescentar “romancista” ao meu cartão-de-visita.
Escrevi porque me apeteceu contar uma história.”

Miguel Sousa Tavares (Porto, 25/6/1952)
Jornalista, escritor, comentador na rádio e televisão, advogado, filho da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen.