Archive for Abril, 2009

Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Cabo Verde, Baltazar Lopes
Abril 11, 2009

“Casem-se os poetas com a respiração do Mundo”

Baltazar Lopes (Caleijão, S. Nicolau, Cabo Verde, 23/4/1907 – Lisboa, 26/5/1989)
Poeta, que utilizou o pseudónimo de Osvaldo Alcântara, romancista e linguista, fundador da revista Claridade com: Manuel Lopes e Jorge Barbosa, escreveu em português e em crioulo.

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Locuções Latinas – Sinie die; ad valorem; in illo tempore; lato sensu  (continuação)
Abril 11, 2009

As locuções latinas mencionadas em título continuam a ser utilizadas.

Eis o significado de cada uma delas:

sinie die ————- sem data marcada;

ad valorem ——– conforme o valor;

in illo tempore —- nessa época;

lato sensu ———- em sentido lato.

 

Eugénio de Andrade – Língua dos Versos
Abril 7, 2009

Língua;
língua da fala;
língua recebida lábio
a lábio; beijo
ou sílaba;
clara, leve, limpa;
língua
da água, da terra, da cal;
materna casa da alegria
e da mágoa;
dança do sol e do sal;
língua em que escrevo;
ou antes: falo.

Eugénio de Andrdae(Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

António Lobo Antunes – Minha jóia preciosa e querida
Abril 5, 2009

“8/9.2.71

Minha jóia preciosa e querida

(…)
Meu amor a tia Madalena disse-me que estás com uma barriguinha muito grande, e eu tenho tanta pena de não poder estar contigo neste momento! Eu gosto tudo de ti, e o meu maior desejo é poder passar toda a minha vida ao teu lado. Eu amo-te meu querido amor da minha vida e recebe de mim milhares e milhares de beijos. Até ao fim do mundo.

António

PS. Cá fico à espera dos teus retratos! Espero que sejam muitos, para eu te poder ver bem. Eu amo-te muito e ao nosso filho, e havemos de ser muito felizes quando eu voltar. Tens sido tão sacrificada que às vezes me apetece pedir-te desculpa por teres casado comigo…
Mais beijos e ternuras do teu

António”

António Lobo Antunes (Lisboa, 1/9/1942)
Romancista e cronista, distinguido com o Prémio Camões em 2007, médico especializado em Psiquiatria.

Vinicius de Moraes – Auto-Retrato
Abril 5, 2009

Nome: Vinicius. Por quê?
O Quo Vadis, saído em 13
Ano em que nasci.

Sobrenome: de Moraes
De Pernambuco, Alagoas
E Baía (que guardo em mim).
Sou carioca da Gávea
Bairro amado, de onde nunca
Deveria ter saído.

Fui, sou e serei casado
E apesar do que se diz
Não me acho tão mau marido.

Filhos: três e um a caminho

Altura: um metro e setenta
Meão, pois. O colarinho
Trinta e nove e o pé quarenta.

Peso: uns bons setenta e três
(precisam ser reduzidos…)

Dizem-me poeta; diplomata
Eu o sou, e por concurso
Jornalista por prazer
Nisso tenho um grande orgulho
Breve serei cineasta
(Activo). Sou materialista.

Deito mais tarde que devo
E acordo antes do que gosto.

Fui auxiliar de cartório
Censor cinematográfico
Funcionário (incompetente)
Do Instituto dos Bancários.

Actualmente sou segundo
Secretario de Embaixada.

Formei-me em Direito, mas
Sem nunca ter feito prática.

Infância: pobre mas linda
Tão linda que mesmo longe
Continua em mim ainda.

Prefiro vitrola a rádio
Automóvel atrem, trem
A navio, navio a avião
(De que já tive um desastre).

Se voltasse a vida atrás
Gostaria de ser médico
Pois sou um médico nato.

Minhas frutas predilectas
Por ordem de preferência:
Caju, manga e abacaxi.

Foi com meu pai, Clodoaldo
de Moraes, poeta inédito
Que aprendi a fazer versos
(Um dia furtei-lhe um
Para dar à namorada).

Tinha dezanove anos
Quando estreei com meu livro
O Caminho para a Distância
Meu preferido é o último:
Poemas, Sonetos e Baladas.

Toco violão, de ouvido
E faço sambas de bossa
Garoto, lutei jiu-jitsu
Razoavelmente. No tiro
Sobretudo em carabina
Sou quase perfeito. As coisas
Que mais detesto: viagens
Gente fiteira, fascistas,
Racistas, homem avarento
Ou grosseiro com mulher.

As coisas que mais gosto:
Mulher, mulher e mulher
(Com prioridade da minha)
Meus filhos e meus amigos.

Ajudo bastante em casa
Pois sou um bom cozinheiro
Moro em Paris, mas não há nada
Como o Rio de Janeiro
Para me fazer feliz
(E infeliz). Desde os 7 anos
Venho fazendo versinhos
Gosto muito de beber
E bebo bem (hoje menos
Do que há dez anos atrás).
Minha bebida é o uísque
Com pouca água e muito gelo.
Gosto também de dançar
E creio ser essa coisa
A que chamam de boémio.

Em Oxford, na Inglaterra
Estudei literatura
Inglesa, que foi
Para mim fundamental.

Gostaria de morrer
De repente, não mais que
De repente, e se possível
De morte bem natural.
E depois disso, ao amigo
João Conde nada mais digo.

MORAES, Vinicius de, Poesia Completa e Prosa

Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19/10/1913 – Rio de Janeiro, 9/7/1980)
Poeta, jornalista, compositor, diplomata.

Locuções Latinas – Verbi gratia; a priori; honoris causa; ex aequo; sui generis (continuação)
Abril 5, 2009

As locuções latinas mencionadas em título continuam a ser utilizadas.

Eis o significado de cada uma delas:

verbi gratia ——— por exemplo;

a priori ————– anterior à referência ou aos factos;

honoris causa —— a título de honra;

ex aequo ———— com igual mérito;

sui generis ——— peculiar.

(continua)

Maria Alberta Menéres – Quase
Abril 4, 2009

Quase não sei esperar o inesperado,
a rede que se parte e a outra rede
que se reparte: o não saber esperar
com a paciência antiga do silêncio
sentado mansamente ao nosso lado.

Quase não sei sonhar o amargo espanto
de estar aqui à porta de uma lua
que dá para um jardim que deu outrora
para um caminho que não finda nunca
tão pura e simplesmente ao fim da rua.

Maria Alberta Meneres (Vila Nova de Gaia, 25/8/ 1930)
Professora, tradutora, jornalista, poetisa e escritora infanto-juvenil, mãe da cantora Eugénia Melo e Castro.

António Alçada Baptista – A Cultura
Abril 4, 2009

“A cultura é essencialmente lúdica e deve ser vivida no contexto da nossa humanidade e não da nossa solenidade.”

António Alçada Baptista (Covilhã, 29/1/1927 – Lisboa, 7/12/2008)
Romancista,ensaísta e cronista, advogado, desenvolveu actividades ligadas ao jornalismo e à edição.

Manuela Porto – Mensagem
Abril 4, 2009

“Muitas e muitas emoções, alegrias e dores, de que me ocupo nalgumas das minhas histórias, escritas muitas delas há anos, já me parecem hoje frívolas, imponderáveis, indignas de que a elas se ligue grande atenção, num mundo em que tanto se sofre por grandes, autênticos motivos, num mundo que cai em escombros, para além dos quais, no entanto – já adivinhamos – um outro universo há-de despontar, permitindo que a vida se torne qualquer coisa digna de se viver. (…)”

PORTO, Manuela, Doze Histórias sem sentido, Prefácio

Manuela Porto (24/4/1908 – 7/7/1950)
Escritora, tradutora, crítica, encenadora, actriz, declamadora, oposicionista e feminista.

António Ribeiro Chiado
Abril 4, 2009

António Ribeiro, conhecido como “(O) Chiado” ou “O Poeta Chiado”, por habitar numa rua com este nome – actual Almeida Garrett -, nasceu em Évora no ano de 1520 onde ingressou na Ordem dos Franciscanos, que abandonou, rumando até à capital.

Celibatário, envergando o hábito de franciscano, tornou-se popular pelas suas capacidades de poeta improvisador, jocoso e jovial, actor e ventríloquo – as suas facécias circulavam no anedotário quinhentista.

Escreveu autos e obras religiosas, das quais se destacam:

Prática de Oito Figuras;

Auto das Regateiras;

Prática de Comadres;

Auto da Natural Invenção;

Auto de Gonçalo Cambão;

Letreiros Sentenciosos;

Cartas Jocosas.

O contemporâneo de Camões faleceu em Lisboa, em 1591.