Archive for Outubro, 2009

Carlos Nejar – Escrever Poesia
Outubro 30, 2009

“Escrevo talvez para comunicar-me além das palavras, quando o pensamento e o coração se aliam, o visível se harmoniza com o invisível.

Talvez para buscar um sentido no universo que o sortilégio das palavras esconderia.

Talvez par a revelação que caísse como um raio no texto e o iluminasse.

Talvez por que seja indispensável exprimir os que não têm rosto ou voz e a palavra é um espelho colectivo.

Talvez por estar vivo, sofrendo e amando. Ou veja na linguagem uma janela possível para vislumbrar o rosto de Deus.

Talvez por razões que ainda ignore e as palavras, aos poucos, vão ajudar a desvendar.

Carlos Nejar (Brasil, Porto Alegre, 11/1/1939)
Poeta, ficcionista, tradutor, crítico, membro da Academia Brasileira de Literatura, conhecido por “poeta do pampa brasileiro”.

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Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Cabo Verde: Revista Claridade (continuação)
Outubro 30, 2009

Número um da revista Claridade

Colaboradores:

– Aguinaldo Brito Fonseca;

– António Aurélio Gonçalves;

– Arnaldo França;

– Artur Augusto da Silva;

– Baltasar Lopes;

– Corsino Fortes;

– Félix Monteiro;

– Francisco Lopes;

– Francisco Mascarenhas;

– Gabriel Mariano;

– Henrique Teixeira de Sousa;

– João Lopes;

– Jorge Barbosa;

– Jorge Pedro;

– Manuel Lopes;

– Manuel Serra;

– Mário Macedo Barbosa;

– Nuno Miranda;

– Onésimo Silveira;

– Osvaldo Alcântara;

– Ovídio Martins;

– Pedro Corsino Azevedo;

– Pedro de Sousa Lobo;

– Sérgio Frusoni;

– Terêncio Anahory;

– Tomaz Martins;

– Virgílio Avelino Pires;

– Virgínio Melo;

– Xavier Cruz;

– metropolitano: José Osório de Oliveira.

Em 1956, Baltasar Lopes referia-se à revista Claridade, publicada na cidade de Mindelo em Março de 1936, nos seguintes termos:

“-Há pouco mais de vinte anos, eu e um grupo reduzido de amigos começámos a pensar no nosso problema, isto é, no problema de Cabo Verde. Preocupava-nos sobretudo o processo de formação social destas ilhas, o estudo das raízes de Cabo Verde.”

Nessa altura, o movimento de negritude tendo como mentores Aimé Césaire, Leopold Dédar Senghor e Alioune Diop, defendia a necessidade e o dever de os intelectuais africanos marcarem posição e defenderem a sua cultura.

O cabo-verdiano, inserido numa miscegeneração étnica e cultural, asenhorou-se do processo interno das suas estruturas sociais, vislumbrando-se, nesta fase, a necessidade da afirmação da sua peculiar realidade.

Os três primeiros números da revista Claridade são reveladores das características sociais de Cabo Verde e das suas raízes humanas e telúricas, privilegiando o seu dialecto.

(continua)

Dificuldades da Língua Portuguesa – Bucal e Bocal
Outubro 27, 2009

Bucal – provém do latim buccale, refere-se à boca e é um adjectivo.

Ex.: Helena, já fizeste a tua higiene bucal?

Bocal – significa: abertura de vasilhame – frasco, vaso, candeeiro, castiçal -, parte do freio, é um substantivo e admite-se que provenha do italiano boccale.

Ex.: A esponja não entra no bocal da garrafa.

António Lobo Antunes – O Novo Olhar sobre o Mundo
Outubro 27, 2009

Assistir à entrevista que António Lobo Antunes conduziu com Judite de Sousa foi uma maravilhosa revelação!

Quebrou-se o feitiço do: “Às vezes gosto das pessoas e tenho dificuldade em o dizer ou mostrar.”

Parabéns pelo regresso à vida, pelo novo olhar sobre o mundo, pelo quebrar as barreiras e dizer “gosto de si”, pelo beijar um homem com a voz do coração no silêncio dos preconceitos, pelo terno abraço à humanidade!

Obrigada por me ter feito sentir que agora também “gosto de si”!

Fico à espera do novo livro,  crónicas de um novo olhar, espero!

 

António Lobo Antunes (Lisboa, 1/9/1942)
Romancista e cronista, distinguido com o Prémio Camões em 2007, médico especializado em Psiquiatria.

Dedicatória
Outubro 27, 2009

Dedico este blogue às minhas queridas e saudosas professoras:

– Dr.ª Amélia Lopes, que me conduziu ao mundo da Literatura, que me incentivou a prosseguir os estudos, que acreditou em mim!;

– D. Delmira Fernandes, que me ensinou a ler e a escrever, que despertou no meu coração de criança o desejo de ser professora – “mas não é para bater” – e a ver o azul do mundo através dos seus olhos.

Para ambas, toda a gratidão e ternura do meu ser – muito Obrigada e Bem-Hajam!

Sophia – Bilhete Postal para Jorge de Sena
Outubro 25, 2009

Roma, 5 de Outubro de 1965

Querido Jorge

Aqui a sua poesia que traduzi e trouxe comigo acaba de maravilhar várias pessoas. Mil saudades

Sophia

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o prémio Camões (1999)

Bernardo Santareno – A Bastardia Social dos Judeus
Outubro 25, 2009

“(…) o massacre de judeus nos campos de concentração nazis não interessa evidentemente apenas aos alemães e aos judeus, interessa ao mundo todo, e a nós portugueses também: tem um valor de “aviso”, de vacina premunitória que aproveita a todos e a nós também.

Não esquecer que O Judeu está perspectivado para o nosso tempo, para a problemática de “hoje, dia-a-dia”.

Não esquecer ainda que (como se diz no final da peça) o espírito que levou às atrocidades dos queimadeiros não se extingiu com a extinção da Santa Inquisição: outras formas ele veio tomando através dos tempos (atenção às chacinas nazis!), outras formas continua a tomar hoje em vários pontos do mundo.
O espírito é o mesmo: mudam as motivações superficiais, mas as profundas mantêm-se.

Não esquecer também que o que se diz da bastardia social dos judeus não se refere apenas aos judeus, mas a outras formas de bastardos que hoje, no mundo que nós habitamos, continuam a sofrer a violência da injustiça camuflada com muitos nomes, interesses e valores de aparência quase honesta.”

Bernardo Santareno (Santarém, 19/11/1920 – Lisboa, 19/8/1980)
Pseudónimo de António Martinho do Rosário
Dramaturgo, considerado o maior no panorama literário português do século XX, poeta, licenciado em Medicina Psiquiátrica.

Baptista Bastos – Nota Pessoal sobre António Borges Coelho
Outubro 25, 2009

“(…) ao conversá-lo, ao lê-lo, ao escutá-lo nunca sei se estou com um companheiro, com um mestre – ou com um irmão.”

Nota: António Borges Coelho (1928), jornalista, poeta, romancista, cronista, professor universitário.

Baptista-Bastos (Lisboa, 27/2/1934)
Jornalista, ensaísta, romancista.

Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Cabo Verde, Baltazar Lopes e a Revista Claridade
Outubro 25, 2009

“Nós queríamos publicar um jornal, porque estávamos absolutamente decididos a bater forte e feio no regime colonial e na forma como Cabo Verde era governado e desgovernado.

Para publicarmos o jornal tínhamos de pedir autorização a ficámos estarrecidos quando nos informaram que para tal teríamos de fazer um depósito de cinquenta contos. É claro que nenhum de nós podia dispor de tal quantia, que nessa altura era muito grande. Recorrer ao crédito de pessoas mais abonadas e interessadas no assunto não era aconselhável. Em face disso, resolvemos transferir a nossa vontade de militância para a revista *Claridade que, tendo de ser uma revista literária, ficou no entanto eivada desta preocupação militante, política.

(…) se a revista em si desapareceu, o movimento que ela desencadeou permanece, porque tudo o que em Cabo Verde seja preocupação pelo telúrico e pelos interesses da terra é claridoso.

* surgiu em 1936.

Baltazar Lopes (Caleijão, S. Nicolau, Cabo Verde, 23/4/1907 – Lisboa, 26/5/1989)
Poeta, que utilizou o pseudónimo de Osvaldo Alcântara, romancista e linguista, fundador da revista Claridade com: Manuel Lopes e Jorge Barbosa, escreveu em português e em crioulo

Carlos Drummond de Andrade – O Seu Santo Nome
Outubro 21, 2009

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond Andrade (Itariba, 31/10/1902 – Rio de Janeiro, 17/8/1987)
Poeta, contista e cronista brasileiro, licenciado em Farmácia.