Archive for Junho, 2010

Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Francisco José Tenreiro – Exortação
Junho 29, 2010

Negro
para quem as horas são sol e febre
que colhes
nesse ritmo de guindaste.

Negro
para quem os dias são iguais
que respeitas teu patrão e senhor
como água que mexe o engenho.

Negro!
Levanta os olhos prao sol rijo
e ama tua mulher
na terra húmida e quente!

Francisco José Tenreiro (São Tomé, 1921-1963)
Poeta, ensaísta, contista, colaborador de diversas publicações Integrou a Casa dos Estudantes do Império, co-fundador do Centro de Estudos Africanos, professor universitário, doutorado em Ciências Geográficas (FLUL) e em Ciências Sociais (Inglaterra,1961).

Florbela Espanca – Alma
Junho 29, 2010

“Devo ter por alma um diamante ou uma labareda e sinto nela a beleza inquietante e misteriosa das coisas incompletas e mutiladas.”

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8/12/1894 – Matosinhos, 8/12/1930)
Poetisa, 1.ª mulher a frequentar o curso de Direito na Universidade
de Lisboa, percursora do movimento feminista em Portugal.

Fiama Hasse Pais Brandão – Aromas
Junho 29, 2010

Cheira a alfazema, gardénias, lírios,
neste jardim em que por momentos estaremos,
e os aromas embebem-se-nos no corpo
como se fôssemos cegos amantes que
o ventre
impelisse uns contra os outros.

Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa, 15/8/1938 – Lisboa, 19/1/2007)
Poetisa, romancista, dramaturga, ensaísta, tradutora
(Esposa de Gastão Cruz).

Fernando Pinto do Amaral – A Poesia
Junho 29, 2010

“A poesia é qualquer coisa que fica a repercutir em quem escreve e em quem lê.”

Fernando Pinto do Amaral (Lisboa, 12/5/1960)
Poeta, romancista e contista, doutorado em Literatura Românica, professor universitário.

Gentílicos ou Pátrios de: Santa Cruz, Santarém, Santo Tirso, São Brás de Alportel, São João da Madeira, São Domingos(continuação)
Junho 27, 2010

Gentíliocs ous pátrios – nomes que indicam: nacionalidade, origem ou lugar de nascimento, residência de alguém ou proveniência de alguma coisa.

Eis alguns, nacionais:

Santa Cruz ——————— santa-cruzense

Santarém ———————– escalabitano, santareno

Santo Tirso ——————— são-tirsense

São Brás de Alporetel —— são-brasense

São João da Madeira ——- são-joanense, são-joanino

São Domingos —————- dominicano

(continua)

Eugénio de Andrade – As Amoras
Junho 27, 2010

O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo parta cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

José Régio – Destino
Junho 27, 2010

“O meu verdadeiro destino é estar, é ficar; é agir indirectamente pela realização de uma obra que requer vagar, continuidade, tranquilidade…”

José Régio (Vila do Conde, 17/09/1901 – Vila do Conde, 22/12/1969)
Pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira
Poeta, dramaturgo, romancista, contista, ensaísta, crítico, desenhador, coleccionador, licenciado em Filologia Românica.

António Manuel Couto Viana – Admiração por Régio
Junho 27, 2010

“ Tinha uma grande admiração por Régio, embora a minha poesia não fosse da sua família. E gostava muito de conversar com ele. Era um homem um pouco doutoral, calado, mas valia a pena ouvir o que ele dizia”.

António Manuel Couto Viana (Viana do Castelo, 24/1/1923 – Lisboa, 08/06/2010)
Poeta, contista, ensaísta, dramaturgo, actor, encenador, tradutor.
Dirigiu os cadernos de poesiaTávola Redonda e as revisits culturais:Graal e Tempo Presente.

Oliveira Martins – A Sociedade
Junho 27, 2010

“ A sociedade não é como um teatro, um mecanismo: é, como o mundo, um organismo.”

Oliveira Martins (Lisboa. 30/4/1845 – Lisboa, 24/8/1894)
Político, cientista social e escritor.

Teolinda Gersão – A Escrita
Junho 25, 2010

“(…) a escrita é uma experiência limite (…) é mais forte que o autor (..) pode usar-se, mas não manipular-se.
(…)
Por um lado, é muito forte o prazer da escrita, por outro lado é um trabalho lento e penoso. (…)”

Teolinda Gersão (Coimbra, 1940)
Romancista, contista, professora universitária.