Raul Brandão – A Alma e o Amor

“A alma, ao contrário do que tu supões, a alma é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluido envolve a matéria.

Em certos homens a alma chega a ser visível, a atmosfera que os rodeia tomar cor.

Há seres cuja alma é uma contínua exalação: arrastam-na como um cometa ao oiro esparralhado da cauda – imensa, dorida, frenética.

Há-os cuja alma é de uma sensibilidade extrema: sentem em si todo o universo. Daí também simpatias e antipatias súbitas quando duas almas se tocam, mesmo antes da matéria comunicar.

O amor não é senão a impregnação desses fluidos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível. Assim é que o homem faz parte da estrela e a estrela de Deus.”

Raul Brandão (Foz do Ouro, 12/3/1867 – Lisboa, 5/12/1930)
Escritor, jornalista e militar.

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