Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Jorge Barbosa – Fantasias na Escrita

À noite quando escrevo
tenho fantasias
que não chego a escrever
nem conto a ninguém.

Esta, por exemplo,
de ver um paquete
no meu cinzeiro
de feitio oblongo!

Ponho nele, de pé,
as pontas dos cigarros.
São mastros
e chaminés fumegantes…

Os fósforos
são carregamento
e a cinza
são as cinzas das fornalhas…

Deito nele
pedacinhos de papel que eu rasgo,
– restos de algum poema…
São cartas para longe.

BARBOSA, Jorge, Cadernos de um Ilhéu

Jorge Barbosa (Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, 25/5/1902-Cova da Piedade, 6/1/1971)
Poeta, colaborador em revistas e jornais, um dos fundadores da Revista Literária Claridade, pioneiro da poesia cabo-verdiana.

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