Archive for Agosto, 2011

Palavras de Grafia Dupla: Ervanário / Herbanário; Febra / Fevra / Fêvera; Foice / Fouce; Fontanário / Fontenário; Gaze / Gaza; Gerigonça / Geringonça; Germe / Gérmen
Agosto 28, 2011

A língua portuguesa admite duas (ou mais) formas de registo gráfico em algumas palavras, a nível de: mudança de acento; aditamento de uma letra/letras – vogal ou consoante -; alternância de letras.
Eis alguns exemplos:

Ervanário / herbanário —————- aquele que vende ou estuda plantas medicinais.

Febra / fevra / fêvera ——————– carne sem osso nem gordura.

Foice / fouce ——————————– utensílio para ceifar.

Fontanário / fontenário ————— fonte antiga.

Frenesi / frenesim ———————– excitação.

Gaze / Gaza———————————- tecido para tratamento.

Gerigonça / geringonça ————– coisa mal feita; engenhoca.

Germe / gérmen ————————— embrião; origem.

(continua)

Nota: Falaremos sobre a dupla grafia introduzida pelo Acordo Ortográfico.

Mário Dionísio – Escreve!
Agosto 28, 2011

“(…) Abro o meu irregularíssimo Diário num dia de 63, aí calhou, e leio-o como se a data fosse a de hoje:

” Não queiras que cada página seja um monumento: Não queiras tudo. É o melhor caminho para não encontrares nada. Não te sintas esmagado pelos grandes nem condoído com a falência dos que detestas ou desprezas ou apenas lamentas. Escreve. Esquece tudo, tapa os ouvidos, mete-te bem na tua experiência, só na tua experiência. Grande ou pequena é o que tens. Não desanimes, não desistas, não te perturbes com ainda indiferença dos outros, não te entusiasmes com os aplausos dos outros. Escreve! Escreve!”

DIONÍSIO, Mário, “Autobiografia”, in Jornal de Letras, n.º 210, 1986-7-14/20, p. 11

Mário Dionísio (Lisboa, 16/7/1916 – Lisboa, 17/11/1993)
Poeta, ficcionista, ensaísta, crítico, professor universitário.

Eça de Queirós – O Fado
Agosto 28, 2011

“Atenas produziu a escultura, Roma fez o direito, Paris inventou a revolução, a Alemanha achou o misticismo. Lisboa que criou?
O Fado.”

QUEIRÓS, Eça de, Prosas Bárbaras

Eça de Queirós (Póvoa do Varzim, 25/11/1845 – Paris, 16/8/1900)
Diplomata e escritor, considerado o melhor escritor realista português do séc. XIX

Rodrigues Lapa – As Famílias das Palavras
Agosto 25, 2011

“As palavras vivem em famílias; e o que se dá na família dos humanos, dá-se também na família das palavras: nem sempre os componentes ligam bem entre si, porque há elementos que são ou se julgam mais do que os outros.”

LAPA, M. Rodrigues, Estilística da Língua Portuguesa

Manuel Rodrigues Lapa (Anadia, 22/4/1897 – Anadia, 28/3/1989)
Filólogo, escritor, ensaísta, crítico e investigador literário, jornalista – Director de O Diabo e Seara Nova -, professor catedrático.

Maria Ondina Braga
Agosto 24, 2011

“Incapaz de escrever uma linha, hoje. Dói-me a alma, e o pensamento é um navio perdido em mar de bruma.”

BRAGA, Maria Ondina, A Personagem

Maria Ondina Braga (Braga, 13/1/1932 – Braga, 14/3/2003)
Contista, romancista, tradutora, autora de diversas publicações, professora – Goa, Angola e Macau.

Agripina Costa Marques – Nome
Agosto 23, 2011

Nome é prece que em recolhimento
se murmura. Em fervor concentrado
no nome se nomeia o que o nome
mediatiza quando nele se identifica
nome e nomeado na extrema contensão
de nomear por dentro do nome
ou alongar no lento chamamento
a intensidade de nomear e animar
o nome de profundo significado.

Agripina Costa Marques
(n. 1929)
Poetisa, esposa de António Ramos Rosa.

Teresa Guedes – O Meu Lápis
Agosto 23, 2011

É impossível pintar
a canção do vento
ou o choro das árvores
quando são abatidas.
É possível, diz o meu lápis
habituado a tantas vidas.

Teresa Guedes (1957 – 25/9/2007)
Poetisa, contista, cronista, orientadora de acções de formação para professores e alunos sobre escrita criativa, responsável pelo Clube de Poesia para alunos, professora, licenciada em Filologia Germânica.

Glória de Sant´Anna – Poema da Solidão
Agosto 23, 2011

Serei tão secreta
como o tecido da água

e tão leve

e tão através de mim deixando passar
toda a paisagem

e todo o alheio pecado
do gesto, da presença ou da palavra

que logo que a tua mão me prenda
me não acharás:

serei de água.

Glória de Sant´Anna (Lisboa, 1925 – 2/6/2009)
Poetisa, colaboradora de publicações em Moçambique, onde viveu de 1951 a 1975, professora.

Florbela Espanca – Fumo
Agosto 23, 2011

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Florbela Espanca (Vila Viçosa, 8/12/1894 – Matosinhos, 8/12/1930)
Poetisa, 1.ª mulher a frequentar o curso de Direito na Universidade
de Lisboa, percursora do movimento feminista em Portugal.

Matilde Rosa Araújo – Coração Cheio
Agosto 23, 2011

Esta noite deitei-me triste,
Abri um livro, passei uma folha, outra folha.
Quando cheguei ao fim tinha o coração cheio
de folhas e de flores…

Matilde Rosa Araújo (Lisboa, 18/6/1921 – Lisboa, 06/07/2010)
Contista, poetisa e novelista com prevalência na literatura infanto-juvenil, professora, licenciada em Filologia Românica.