Archive for Outubro, 2011

Rosa Lobato Faria – O Tempo
Outubro 7, 2011

O tempo tem aspectos misteriosos:
Um ano passa a toda a velocidade,
E um minuto, se estamos ansiosos
Parece, às vezes, uma eternidade.

Um dia ou é veloz ou pachorrento
-depende do que está a contecer-
O tempo de estudar, pode ser lento.
O tempo de brincar, passa a correr.

E aquela terrível arrelia
Que até te fez chorar, por ser tão má,
deixa passar o tempo. Por magia,
Quando olhamos para trás, já lá não está.

Rosa Lobato Faria (Lisboa, 20/4/1932 – Lisboa, 2/2/2010)
Poetisa, guionista, compositora, declamadora e atriz.

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Yvette Kace Centeno – Um Poema para a Amália
Outubro 7, 2011

com saudade do David
e do Alain

Não conheço a tua casa
nem conheço as tuas flores

Só conheço a tua voz
nos palcos de muitas cores

Tanto sonho e tanto mar
por trás da porta fechada

O David e o Alain
esperam-te de surpresa

Um anjo afina a viola
Que no céu estava guardada

6.10.99

Yvette Kace Centeno (Lisboa, 1940)
Poetisa, dramaturga, ensaísta especializada na obra de Fernando Pessoa, tradutora, professora catedrática.

Maria Assunção Vilhena – Sines, A Praia do Norte
Outubro 7, 2011

“Praia larga e comprida a perder de vista, onde o Atlântico é geralmente encapelado, era uma atracção para moços e moças, não pelo banho que lá não se podia tomar, mas pelo aspecto magestoso e medonho ao mesmo tempo. Ainda se ia longe e já o ruído das ondas alterosas, rebentando com estrondo, anunciavam o destino almejado. (…)
Tudo nos servia para darmos largas à nossa imaginação criadora: com canas, bocados de madeira e de cortiça que a maré arrastava para a praia, fazíamos cabanas que eram as nossas casas.

Se, no decorrer da semana, não passavam por lá outras crianças, no domingo seguinte, ficávamos felizes por ainda as encontrarmos de pé. (…)”

VILHENA, Maria Assunção, Gente do Monte

Maria Assunção Vilhena (Santiago de Cacém, 1925)
Concluiu o Curso de Professora do Ensino Primário em 1948, posteriormente licenciou-se em Filologia Românica e leccionou Francês na sua terra natal.
Dedicou-se ao estudo da Etnologia da Beira-Baixa e editou obras neste âmbito.

Maria Teresa Horta – Pequenos Dizeres Sobre a Mulher – I
Outubro 7, 2011

Não come da
fome
nem come do medo

nem guarda na
arca
com a roupa o segredo

Maria Teresa Horta (Lisboa, 20/5/1937)
Poetisa, colaboradora de diversos jornais e revistas, pertenceu ao grupo Poesia 61 e aos movimentos cineclubista e feminista.

Sophia – As Ondas
Outubro 7, 2011

As ondas quebraram uma a uma
Eu estava só com areia e com a espuma
Do mar que cantava só p´ra mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o prémio Camões (1999).

Fiama Hasse Pais Brandão – O Olhar
Outubro 7, 2011

“Espelho de um espelho, o líquido do olhar turva-se:
o amianto, hiato entre o momento e o longe”

Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa, 15/8/1938 – Lisboa, 19/1/2007)
Poetisa, romancista, dramaturga, ensaísta,
tradutora – foi esposa de Gastão Cruz.

Dificuldades da Língua Portuguesa – Viva e /ou Vivam?
Outubro 7, 2011

1. Viva – Interjeição que exprime alegria ou aplauso.

Exs.: Boa decisão! Viva!
Ora, viva!

2. Viva – verbo viver, 3.ª pessoa do singular do presente co conjuntivo – exprime aplauso ou desejo de boa sorte!

Ex.: Viva a Língua Portuguesa!

3. Vivam – verbo viver, 3.ª pessoa do plural do presente co conjuntivo – exprime aplauso ou desejo de boa sorte!

Ex.: Vivam os noivos!

Nota: Nos pontos 2 e 3 aplicou-se a regra da concordância do verbo com o sujeito.

Fernando Guimarães – A Rosa e a Luz
Outubro 6, 2011

“(…) a rosa nasce e nós somos o pólen que começa a percorrê-la como se vivêssemos na natureza
[da luz. “

Fernando Guimarães (Porto, 3/2/1928)
Poeta, ensaísta, tradutor, antologista, professor e investigador, licenciado em Histórico-Filosóficas.

Pedro Tamen – O Sol Nascia
Outubro 6, 2011

E agora: a tua pele
Revejo: é manso o mar.
E sei que o vento corre e que por ele
se colam no teu corpo lembranças de luar.

Descanso: os teus cabelos.
Entrego: já é dia.
Oa caules são serenos, e ao vê-los
no côncavo da mão o sol nascia

Pedro Tamen (Lisboa, 1934)
Poeta, crítico literário, tradutor, professor, licenciado em Direito.

Herberto Helder – O Que Não Sei Dizer-te
Outubro 6, 2011

Porque não sei dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, a mãe,
o amor,

que te procuram.

Herberto Hélder (Funchal, 23/11/1930)
Poeta, ficcionista, jornalista, bibliotecário, tradutor, apresentaddor de programas de rádio e de televisão.