Archive for Junho, 2012

Tolerância de Ponto
Junho 19, 2012

Vogais by lusografias

Tolerância de ponto: “faculdade conferida aos funcionários públicos de não comparecerem ao serviço, em dias úteis, em virtude de qualquer festa ou comemoração civil.”

Esta expressão portuguesa era muito apreciada pelos funcionários públicos, ex-servidores do Estado, atuais trabalhadores da Administração Púbica.

Diário de Notícias – 29 de dezembro de 1864
Junho 19, 2012

Diário de Notícias by lusografias

Mário Saa – No Dia do Aniversário do seu Nascimento – Soneto
Junho 18, 2012

Mário Saa by lusografias

Servem-me os desgostos p’ra meus versos.
Se eles não foram como então poderia
ter este belo prazer de me queixar!

Ter esta exaltação, esta alegria
de saldar a minh’alma com palavras,
demover o meu mal com fantasia…

De todas as fraquezas me redimo,
de todos os desgostos me consolo,
se pela escrita os justifico e os estimo;

se uma teoria explicativa evolo
e em doce verso a metrifico e rimo.
Então, dest’arte, a minha mágoa isolo

(ou marco-lhe intervalo ou nova pausa),
que a causa, só, do sofrimento nosso
é não achar do sofrimento a causa.

Mário Saa (Caldas da Rainha, 18/6/1893 – Ervedal, 23/1/1971)
Poeta, colaborador em diversas publicações.

Cecília Meireles – A Arte de Ser Feliz
Junho 18, 2012

Cecília Meireles  by lusografias

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.

Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão mas gotas de água sobre as plantas.

Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.

E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.

Outras vezes encontro nuvens espessas.

Avisto crianças que vão para a escola.

Pardais que pulam pelo muro.

Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.

Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar.

Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.

Às vezes, um galo canta.

Às vezes, um avião passa.

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.

E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 7/11/1901 – Rio de Janeiro, 9/11/1964)
Poetisa, professora e jornalista, fundadora da 1.ª Biblioteca Infantil do Rio de Janeiro

Lygia Fagundes Telles – A Herança do Pai
Junho 18, 2012

Lygia Fagundes Telles by lusografias

“A cega esperança que herdei do meu pai, ele era um jogador que arriscava na roleta. Eu jogo na palavra. Luta sem parceiros e sem testemunhas, uma luta dura.
Perdi? “Mas manhã a gente ganha” – dizia o meu pai apalpando os bolsos vazios.
Apalpo os bolsos transbordantes de palavras.”

Lygia Fagundes Telles (São Paulo, 19/4/1923)
Romancista, contista, galardoada com o Prémio Camões em 2005, tradutora, advogada.

Lygia Fagundes Telles e Cecília Meireles – 1945
Junho 18, 2012

Lygia Fagundes Telles e Cecília Meireles by lusografias

Lídia Jorge – No Dia do seu Aniversário… – “A Minha Escrita”
Junho 18, 2012

Lídia Jorge by lusografias

“(…) Quase não há aforismos na minha escrita, nem frases bombásticas. Antes procuro que a exterioridade crie a sua própria metáfora. Os percursos e os objetos têm que ter o seu próprio sentido. Por isso, envolvo-me com o ambiente onde as coisas decorrem, preciso de pôr vozes que quero fazer trocar num espaço.(…)”

Lídia Jorge (Boliqueime, Algarve, 18 de Junho de 1946)
Romancista, autora de antologias poéticas e de uma peça de teatro, colaboradora de diversas revistas e jornais, professora, licenciada em Filologia Românica

Mendes Silva – A Língua, um Corpo Orgânico
Junho 14, 2012

Português Língua Viva

“Uma língua não é um sistema imutável, rígido, mas antes o produto de uma civilização, de uma cultura. Sujeita às contingências da história e de política, uma língua
é um corpo orgânico em permanente evolução.”

SILVA, Luís Manuel Mendes, Português Língua Viva

Mendes Silva (? – 1984)
Professor universitário de Português e Alemão, autor das obras didáticas, além da atrás mencionada: Bom Dia! (1974); Boa Tarde! (1976); Português Contemporâneo (1982).

Jose Viale Moutinho – O Amoroso
Junho 13, 2012

Jose Viale Moutinho by lusografias

o amor compreende
os fumos

os rumores dos lençóis

a boca
devoradora

esses cigarros

MOURA, Vasco Graça, 366 poemas que falam de amor

José Viale Moutinho (Funchal, 12/6/1945)
Poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de livros infanto-juvenis, ensaísta, estudioso de Camilo, jornalista.

Fernando Pessoa – No dia do Aniversário do seu Nascimento… uma mensagem: Para Ser Grande
Junho 13, 2012

Fernando Pessoa by lusografias

Para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa (Lisboa 13/6/1888 – Lisboa, 30/11/1935 )
Poeta, escritor e tradutor, distinguiu-se pela criação de heterónimos, que o tornaram famoso.