Archive for Dezembro, 2012

Os números de 2012
Dezembro 31, 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 87.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 5 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Eugénio de Andrade – Escrever como quem Chora
Dezembro 30, 2012

Geninho - caricatura by lusografias

“Às vezes sinto-me tão desesperado que me sento a escrever como quem chora”.

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão , 19/01/1923 – Porto, 13/06/2005)
Pseudónimo de José Fontinhas.
Poeta de renome internacional, tradutor, prosador, autor de literatura infantil, antologista, detentor de diversos prémios literários, nomeadamente o Prémio Camões em 2001.

João Tordo – A Confusão dos Livros
Dezembro 30, 2012

João Tordo by lusografias

“Gosto que meus livros sejam uma confusão entre minha vida pessoal e a ficção”.

João Tordo (Lisboa, 28/8/1975)
Romancista, jornalista freelancer, licenciado em Filosofia.

João Negreiros – o órfão de segunda vez
Dezembro 30, 2012

João Negreiros by lusografias

a senhora que mora na casa em frente nem sempre está à janela
às vezes está à porta e outras está dentro dela

a velhota que vive junto a minha casa
tem um cão chamado Teobaldo
que com latidos me arrasa
enquanto a velha faz o caldo

e ouço-lhe a máquina de costura
sinto-lhe o ponto de caramelo
quando lhe dá para a doçura
leva à rua o xaile mais belo

e mora sempre sozinha
a única visita sou eu
que a espreito como se fosse minha
até que ela se derreteu

e a casa está para alugar
porque a cortina já não se mexe
mas quando à janela voltar
vou-lhe dizer por favor desce

indago-lhe porque some
não faça isso então e eu?
depois pergunto-lhe o nome
e ela responde que morreu

podias ter sido minha avó
ó minha querida avozinha
eu moinho e tu a mó
a que me dava a farinha

e eu não gosto do cão
só o tolero por ser órfão

e a casa que fica em frente à tua
não é uma casa e está nua

e a família que estava comigo
nunca chegou a aparecer
deixa-me ser teu amigo
e o caramelo derreter

é que a senhora que vive ali não está sempre lá
mas eu juro que já a vi nos dias em que não está

João Negreiros (Matosinhos, 23/11/1976)
Poeta, dramaturgo, actor e encenador.

João Guimarães Rosa – Alaranjado
Dezembro 30, 2012

João Guimarães Rosa by lusografias

No campo seco, a crepitar em brasas,
dançar as últimas chamas da queimada,
tão quente que o sol pende no ocaso,
bicado,
pelos sanhaços das nuvens,
para cair, redondo e pesado,
como uma tengerina temporã madura…

João Guimarães Rosa (Cordisburgo, 27/6/1908 – Rio de Janeiro, 19/11/1967)
Contista, romancista , novelista, colaborador em vários jornais e revistas, médico e diplomata.

João de Barros – Aquele Mar
Dezembro 30, 2012

Aquele mar da minha infância,
bom camarada e meu irmão
a sua voz, o seu olor, sua fragrância
tanto os ouvi e respirei
que trago em mim o seu largo ritmo,
seu ritmo forte,
como se as praias onde espuma
quase me fossem
praias sem fim dentro de mim
ocultas praias, largas praias
do tumultuoso coração…

Aquele mar
meu confidente de horas idas
tudo escutava e adivinhava
do meu pueril e ingénuo anseio.
Nada sonhei que o não dissesse
– frémito de alma, grito ou prece –,
às madrugadas e aos poentes,
ao sol, às nuvens, ao luar,
ora nascendo, ora morrendo
nos longos, longos horizontes
em que se perdia o meu olhar…

Aquele mar
na calma azul, no temporal,
nunca mentia: era um só beijo,
hálito puro, largo harpejo
que me entendia e respondia
no seu inquieto marulhar…
Moço e menino, solitário,
rochas, falésias, areais
eu coroava-os de alegria
nos meus passeios matinais.
Ou nalgum barco pescador,
velas abrindo a todo o pano,
do oceano então era senhor,
largava a escota, navegava,
no vão desejo de aventuras,
que não chegava a realizar…
Mas era meu, e eu pertencia-lhe,
àquele mar,
era seu filho, escravo e dono,
sorria à sua Primavera,
amava a luz do seu Outono,
o vivo lume dos estios
a violência dos Invernos
longos clamores de temporais.
Aflito voo das gaivotas
junto das negras penedias,
também como ele me perdias,
nas tardes tristes e sombrias,
na bruma gélida das noites…
E a eternidade então ouvia
humano sonho sempre esquecido
na eterna voz que fala o mar.

João de Barros (Viseu, 1496 – Pombal, 20/10/1570)

Historiador, autor de A Grammatica, 1536

Grammatica – João de Barros
Dezembro 30, 2012

Grammatica - Joam de Barros by lusografias

João de Barros (Viseu,1496 – Pombal, 20/10/1570)

Historiador, autor da <em> Grammatica</em>, 1536.

João de Araújo Correia Retratado por Aquilino (1960)
Dezembro 30, 2012

João de Araújo Correia by lusografias

“Não é o mestre da Régua, como se dizia da pintura, no obscuro século de Quinhentos, o mestre de Ferreirim ou de Linhares.

Mas o mestre de nós todos, que andamos há cinquenta anos a lavrar nesta ingrata e improba seara branca do papel almaço, e somos velhos, gloriosos ou ingloriosos, pouco importa; mestre dos que vieram no intermezo da arte literária com três dimensões para a arte literária sem gramática, sem sintaxe, sem bom senso, sem pés nem cabeça; e mestre para aqueles que terão de libertar-se da acrobacia insustentável e queiram construir obra séria e duradoura”.

João de Araújo Correia (Canelas do Douro, Peso da Régua, 1/1/1899 – Peso da Régua, 3/12/1985)
Contista, novelista, colaborador de jornais e revistas, linguista, médico e professor.

João Zorro – Em Lisboa
Dezembro 30, 2012

I
En Lixboa sobre lo mar

barcas novas mandey lavrar,

ay mya senhor velida!

II
En Lixboa sobre lo lez

barcas novas mandey fazer,

ay mya senhor velida!

Jaime Rocha – A Mulher
Dezembro 30, 2012

Jaime Rocha by lusografias

A mulher mostra-se na luz, entre a folhagem.
A cor dos seus cabelos está intacta. Ela tece
um caminho para o homem, mas as mãos dele
colaram-se ao cimento, os seus olhos pararam
no tempo. Todo o seu corpo se assemelha agora
a uma árvore acorrentada pelas heras onde não
entra a música, nem o tempo que separa os dias.
As ondas sustiveram o movimento em direcção
à praia, regressando ao outro lado do horizonte.
(…)

Jaime Rocha (Nazaré, 7/4/1949)
Pseudónimo de Rui Ferreira e Sousa
Jornalista, poeta, romancista e dramaturgo.