Archive for Fevereiro, 2013

Carlos de Oliveira, Fernando Namora e Rui Feijó
Fevereiro 24, 2013

Carlos de Oliveira, Fernando Namora e Rui Feijó by lusografias

Coimbra

De pé: Carlos de Oliveira, à direita, e Fernando Namora à esquerda.

Sentados: Rui Feijó, à direita, a seu lado Maria Alexandra; à esquerda Breda Simões.

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Rosa Lobato Faria – No Jardim das Fadas
Fevereiro 24, 2013

Rosa Lobato Faria by lusografias

“No jardim das fadas vai uma grande agitação. Elas correm com as suas asinhas transparentes e falam todas ao mesmo tempo, com murmúrios e gritinhos e suspiros de fada”

FARIA, Rosa Lobato, A Menina e o Cisne

Rosa Lobato Faria (Lisboa, 20/4/1932 – Lisboa, 2/2/2010)
Poetisa, guionista, compositora, declamadora e atriz.

Zeca Afonso – Canção do Mar
Fevereiro 24, 2013

Zeca Afonso by lusografias

Ó mar
Ó mar
Ó mar profundo
Ó mar
Negro altar
Do fim do mundo

Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
O teu olhar

Ó mar
Ó mar
Ó mar profano
Ó mar
Verde mar
Em que me irmano

Em ti nasceu
Ó mar
A noite que já morreu
No teu olhar

José Afonso (Aveiro, 02/08/1929 – Setúbal, 23/02/1987)
Compositor e cantar, professor, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas.

Ruy Duarte de Carvalho – A Poesia
Fevereiro 22, 2013

Ruy Duarte de Carvalho by lusografias

” A poesia é a busca dos termos exatos da nomeação das coisas, dos sentimentos, da razão e da condição humana; e é por isso que a poesia é um trabalho de síntese, que só tem validade quando realmente aquilo que se diz em poesia não encontra viabilidade para ser dito de outra maneira.”

Ruy Duarte de Carvalho (Santarém,1941- cresceu em Angola onde se naturalizou em 1983 -, Swakopmund, Namíbia, 12/08/2010)
Poeta, ficcionista, ensaísta, cineasta e antropólogo, professor universitário.

Rodrigues Lapa – O Ritmo e a Concordância
Fevereiro 22, 2013

Rodrigues Lapa by lusografias

” O sentimento, por vezes obscuro, do ritmo também desempenha o seu papel na concordância.
Veja-se, por exemplo, esta frase:

“Papas de linhaça, é muito bom”.

Aquela pausa, indicada pela vírgula, desliga a relação lógica entre o sujeito e o verbo e dá tempo a que se considere “papas de linhaça” como um remédio usual, enunciado em sua generalidade abstracta, e por isso com o verbo no singular.

Se tirarmos a vírgula, já não podemos manter a discordância:

“Papas de linhaça são muito boas”.
(…)

LAPA, M. Rodrigues, Estilística da Língua Portuguesa

Manuel Rodrigues Lapa (Anadia, 22/4/1897 – Anadia, 28/3/1989)
Filólogo, escritor, ensaísta, crítico e investigador literário, jornalista – Director de O Diabo e Seara Nova -, professor catedrático.

Padre Moreira das Neves – Mendigo de Deus
Fevereiro 22, 2013

padre-moreira-das-neves
“Todo o poeta, Senhor,
É mendigo de Deus.”
Padre Francisco Moreira das Neves (Gandra, Paredes, 18/11/1906 – 31/03/1992)
Monsenhor, escritor, jornalista e poeta.

Raul de Carvalho – Vinte Anos
Fevereiro 19, 2013

Raul de Carvalho by lusografias

A Morte me há-de levar
Bem contra a minha vontade
– Mas juro que hei-de morrer
Com vinte anos de idade.

CARVALHO, Raul de, As Sombras e as Vozes (1949)

Raul de Carvalho (Alvito, 4/9/1920 – Porto, 3/9/1984)
Poeta, colaborar em diversas publicações, pintor e fotógrafo.

Raul Brandão – Recomeçar a Vida
Fevereiro 19, 2013

Raul Brandão by lusografias

“Se tivesse de recomeçar, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído.”

BRANDÃO, Raul, Memórias

Raul Brandão (Foz do Ouro, 12/3/1867 – Lisboa, 5/12/1930)
Escritor, jornalista e militar.

Ramalho Ortigão – Carta a Eduardo Burnay (excerto)
Fevereiro 19, 2013

Ramalho Ortigão by lusografias

” 3 Rua Casimir Perier
26 de Junho (1889?)

Querido Eduardo* – Muito obrigado pelo trabalho que lhe deu o álbum. Recebi-o hontem e chegou a tempo.

Para lhe dar notícias minhas dir-lhe-ie que nunca Paris me soube tão bem como d´esta vez. Porquê, não sei bem… É talvez principalmente, porque estou mais velho, porque, pondo menos imaginação no prazer, o saboreio melhor saboreando-o mais a frio, como esses pratos a que a gente mal toma o gosto num jantar de apparato, surprehendendo-me de os achar tão estranhamente deliciosos do dia seguinte, ao almoço, sem cerimonial e sem pompa. Que vasto, que fresco, que e perfumado, que deliciosos banho d´arte em que nado há oito dias!…
(…)
Muitos beijos e abraços a todos, meninos e grandes, d´ahi, dos Caetanos (16) e de S. Bernardo.

Seu do coração.
Ramalho.”

* Eduardo Burnay – escritor e seu genro.

Ramalho Ortigão (Porto, 24/10/1836 – Lisboa, 27/9/1915)
Escritor, professor de Francês- de Eça e Ricardo Jorge -,
jornalista e bibliotecário.

Mário Rui de Oliveira – Os Padres do Deserto 
Fevereiro 19, 2013

Os monges do deserto, esses que chegam da vigília do silêncio, diante de um cesto, escolhem os frutos mais apodrecidos. Gestos assim podem parecer-nos insignificantes, até indiferentes, mas, na realidade, revelam aqueles que os cumprem. Os santos sentem-se indignos de receber e preferem reservar, aos outros, o melhor. «Para eles, somente a visão perfumada dos pomares.”

 Mário Rui de Oliveira (Joane, Vila Nova de Famalicão, Abril de 1973)

Poeta, Padre, doutorado em Direito Canónico e Jurisprudência.