Archive for Abril, 2013

Manuel da Fonseca – Dona Abastança
Abril 28, 2013

Manuel da Fonseca by lusografias

«A caridade é amor»
Proclama dona Abastança
Esposa do comendador
Senhor da alta finança.

Família necessitada
A boa senhora acode
Pouco a uns a outros nada
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver
Que não pode ser
Quem
O que tem
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai
E sai caro fazer o bem
Ela dá ele subtrai
Fazem como lhes convém
Ela aos pobres dá uns cobres
Ele incansável lá vai
Com o que tira a quem não tem
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver
Que não pode ser
Dar
Sem ter
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou
Sempre ao bem-fazer foi dado
Pouco custa a quem roubou
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo
De tão estranha caridade
Feita com dinheiro do povo
Ao povo desta cidade.

FONSECA, Manuel da, Poemas para Adriano

Manuel da Fonseca (Santiago de Cacém, 15/10/1911-11/3/1993)
Poeta, romancista, contista e cronista, membro do Grupo Novo Cancioneiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.

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Alves Redol – Gaibéus
Abril 28, 2013

Alves Redol by lusografias

” Do Alto Ribatejo e da Beira Baixa,
eles descem às lezírias pelas mondas
e ceifas.
Gaibéus lhes chamam!”

REDOL, Alves, Gaibéus

Alves Redol (Vila Franca de Xira, 29/12/1911 – Lisboa, 29/11/1969)
Romancista, dramaturgo, cronista, contista, introdutor do neo-realismo em Portugal com a obra Gaibéus (1939).

Alves Redol, Manuel da Fonseca e Outros
Abril 26, 2013

Escritores by lusografias

Da esquerda para a direita: Arquimedes da Silva Santos, António Vitorino, Alves Redol e Manuel da Fonseca.

Vila Franca de Xira, Biblioteca-Museu, 1964.

Padre Manuel Antunes – A Melhor Filosofia
Abril 26, 2013

Padre Manuel Antunes by lusografias

” A nossa melhor filosofia encontra-se na poesia.”

Padre Manuel Antunes (Sertã, 13/11/1918 – Lisboa, 16/1/1985)
Sacerdote, professor universitário, ensaísta, grande amigo de: Almada Negreiros, António Sérgio, Jorge de Sena, José Régio e Vitorino Nemésio, doutorado em Filosofia e Teologia.

Manuel Alegre – A Poesia e o País
Abril 26, 2013

Manuel Alegre by lusografias

” A poesia foi quase como uma casa, um abrigo, um refúgio, uma forma de resistir. Além disso, também tinha a convicção de que pela palavra poética se podia mudar o país.”

Manuel Alegre (Águeda, 12/5/1936)
Poeta, prosador e político português.

Padre António Vieira – Judas e o Polvo
Abril 26, 2013

Padre António Vieira by lusografias

“Judas he verdade que foi traidor, mas com lanternas
adiante; traçou a traição às escuras, mas executou-a
muito às claras. O polvo escurecendo-se a si tira a
vista aos outros, e a primeira traição e roubo que faz
he à luz para que não distinga as cores.

Padre António Vieira (Lisboa, 6/2/1608 – Bahia, 18/7/1697)
(“Paiaçu”)
Religioso, Prosador e pensador, orador do séc. XVII.

Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Corsino Fortes – “Coraçon ê…”
Abril 26, 2013

Corsino Fortes by lusografias

Si rotcha é pâgina! pedra ê sílaba
si corpé é caneta! coraçon ê tinta

FORTES, Corsino, Árvore e tambor

Corsino Fortes (Mindelo, Ilha de São Vicente, Cabo Verde, 4/2/1933)
Poeta, licenciaod em Direito.

Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Moçambique – Mia Couto – Versos do menino que fazia versos
Abril 26, 2013

Mia Couto by lusografias

De que vale ter voz
se só quando não falo é que me entendem?
De que vali acordar
se o que vivo é menos do que o que sonhei?

Mia Couto (Beira, Moçambique, 1955)
Jornalista – foi director da Agência de Informação de Moçambique, da revista Tempo e do jornal Notícias de Maputo -, poeta, contista, novelista, romancista, cronista, biólogo e professor.
Nome próprio: António Emílio Leite Couto – “Mia”, pronúncia de Emílio pelo irmão, adoptado também pelo seu amor aos gatos.

Henrique Matos – A um Poeta
Abril 26, 2013

Andava sempre com sementes  nos bolsos

Até que um dia floriu.

 

In Nova Antologia de Poetas Alentejanos

João Morgado – O teu sorriso
Abril 26, 2013

João Morgado by lusografias

E se o céu fosse só isto…?

As nuvens dos teus lábios
O infindável azul da tua boca…

e eu feito ave louca
a sobrevoar-te num beijo
a embebedar-te de desejo
a morar no teu sorriso…

Ai, se o céu fosse só isto
e nada mais fosse preciso!

Morgado, João, e outros, Rio de Doze Águas

João Morgado (Covilhã)
Poeta, contista, romancista, professor e consultor em Comunicação.