Archive for Junho, 2013

Vergílio Ferreira – Sorri
Junho 17, 2013

Vergílio Ferreira by lusografias

“Sorri um pouco, sorri. Na perene juventude do teu imaginar. Flor aérea que para sempre te ficou. Lembra devagar o teu sorriso de outrora no teu deslumbramento. E sê feliz.”

FERREIRA, Vergílio, pensar

Vergílio Ferreira (Melo, Gouveia, 28/1/1916 – Lisboa, 1/3/1996)
Romancista, contista, ensaísta, autor de diários, galardoado com o Prémio Camões em 1992, professor, licenciado em Filologia Clássica.

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José Rodrigues Miguéis – Lisboa
Junho 17, 2013

José Rodrigues Miguéis by lusografias

“4 de Abril de 1979

– Lisboa é a cabeça pensante da Nação!
– Pois é. A cabeça… no ar.”

MIGUÉIS, José Rodrigues, Aforismos e Desaforismos de Aparício

José Rodrigues Miguéis (Lisboa, 9/12/1901 – Nova Iorque, 27/10/1980)
Contista , novelista, romancista, dramaturgo, cronista, membro do Grupo Seara Nova, colaborador dos jornais O Diabo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e República, co-director de Semanário O Globo, tradutor e redactor das Selecções do Reader´s Digest, licenciado em Direito e Ciências Pedagógicas.

Eça de Queirós – O Mistério da Estrada de Sintra – Prefácio, Breve Excerto
Junho 17, 2013

Eça de Queirós by lusografias

” (…)
A última razão que nos leva a não repudiar este livro, é que ele é ainda o testemunho da íntima confraternidade de dois antigos homens de letras, resistindo a vinte anos de provação nos contactos de uma sociedade que por todos os lados se dissolve. E, se isto não é um triunfo para o nosso espírito, é para o nosso coração uma suave alegria.

Lisboa, 14 de Dezembro de 1884.

De V.
Antigos amigos,

EÇA DE QUEIRÓS
RAMALHO ORTIGÃO”

Eça de Queirós (Póvoa do Varzim, 25/11/1845 – Paris, 16/8/1900)
Diplomata e escritor, considerado o melhor escritor realista português do séc. XIX.

Fernando Pessoa – Amar o Amor
Junho 13, 2013

Fernando Pessoa by lusografias

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

Fernando Pessoa (Lisboa 13/6/1888 – Lisboa, 30/11/1935 )
Poeta, escritor e tradutor, distinguiu-se pela criação de heterónimos, que o tornaram famoso.

Al Berto – Na Rua do Forte
Junho 13, 2013

Al Berto by lusografias

Sines 14 agosto 94

Maré baixa. O cheiro entra pela janela aberta. Espalha-se por toda a casa. Quanto tempo permanecerei aqui, na rua do Forte?
Muitos dos livros que escrevi foram escritos ou acabados nesta casa. (…)”

In Diários

Al Berto (Coimbra, 11/1/1948-Lx, 13/6/1997)
Pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares.
Poeta, pintor, editor, animador cultural, um “coimbrense-siniense” único.

Maria Teresa Rita Lopes – Três Cidades Natais
Junho 12, 2013

Maria Teresa Rita Lopes by lusografias

“Tenho três cidades natais.

Nasci em Faro
sem querer
Três meses depois do meu pai morrer.
(Deve ainda correr-me no sangue o amargo júbilo
de minha Mãe quando me pariu.
Talvez por isso minhas raras alegrias têm sempre
o travo ácido das lágrimas.)
Andei nessa cidade como um menino numa casa com demasiados
móveis.
Não sei o que me faltou ou sobrou
mas vivi sempre em-te não caias
a buscar o equilíbrio no fio reteso de lado a lado
do horizonte.
É verdade que havia ao fundo da minha rua muito ao longe
em certo cerro azul
com quem trocava mensagens no vento.
Afinal desapareceu: devem-no ter demolido quando construíram
os novos prédios altos que roubavam a paisagem à minha rua.

Da infância recordo especialmente o cheiro morno da seda preta
do vestido da minha Mãe
jovem viúva de luto carregado
e o perfume das açucenas e das violetas do quintal
e o terraço aonde me treinava para ser bailarina ou equilibrista
Nas festas e nas férias havia a horta dos avós de Cacela
o tanque a sombra das laranjeiras
o dorso tépido e trémulo dos animais
e sobretudo ah sim! o deslumbramento do mar
ao alcance do olhar.
Um dia mal aprendi a ler foi a primeira menstruação de sílabas
e nunca mais parei de sangrar versos.
(…)”

(continua)

Maria Teresa Rita Lopes (Faro, 12/9/1937)
Ensaísta, poetisa e dramaturga, investigadora, uma das maiores especialistas contemporâneas sobre Fernando Pessoa, professora catedrática, licenciada em Filologia Românica – FLUL-, doutorada pela Sorbonne.

António Lobo Antunes – A Coisa Melhor dos Livros
Junho 12, 2013

António Lobo Antunes by lusografias

” A coisa melhor dos livros foi os amigos que, através deles, arranjei. (…)”

António Lobo Antunes (Lisboa, 1/9/1942)
Romancista e cronista, distinguido com o Prémio Camões em 2007, médico especializado em Psiquiatria.

Jorge de Sena – Ode ao Surrealismo por Conta Alheia 
Junho 10, 2013

Jorge de Sena by lusografias

Que levas ao colo,
embrulhado em sarrafaçais transcritos mau olhado
abomináveis trutas e outros preconceitos?
Um sacerdote? Um gato? A timidez?

Que transportas silencioso, imóvel, como dormindo, no xaile
pespontado a verde com que limpas o suor, o sêmen, as fezes,
tudo o que abandonas, ofereces, vendes, expulsas, injetas,
convocas, reprovas, descreves, etc.?
Embalas e não respondes.
Temes a polícia, os tapetes, o capacho, o telefone, as campainhas
de porta, as pessoas paradas pelas esquinas reparando
em por de baixo das roupas das outras que passam?
Temes as palavras?
Temes que saiam versos, lágrimas, casamentos,
satisfações apressadas em campos de arrabalde?
Temes os partidos, os artigos de fundo, os banqueiros, os capelistas,
a inflação, as úlceras do estômago ou sociais?
Que transportas ao colo
em silêncio e num xaile?
É a vida? Anúncios luminosos? Casas econômicas? O mar? Irmãos?
Reivindicações? Um livro?
Embalas e não respondes.

É a vida? A noite que cai? As luzes distantes? Um gesto? Um olhar?
Um quadro? Uma poesia lírica?

(Oportunamente interrompida pela chegada de uma pessoa conhecida)

24/09/1948

Jorge de Sena (Lisboa, 2/11/1919 – St.ª Bárbara, Califórnia, 4/6/78)

Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, crítico, tradutor, professor catedrático, licenciado em Engenharia Civil e doutorado em Letras.

Sophia – Com Fúria e Raiva
Junho 10, 2013

Sophia  by lusografias

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra.

Junho de 1974

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 6/11/1919 – Lisboa, 2/7/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o prémio Camões (1999).

Luís de Camões – Dar pela Alma
Junho 10, 2013

Luís de Camões by lusografias

” O que não podes haver, dá-o pela tua alma.”

Luís de Camões (1517 e 1524(?) – Lx. 10/6/1580)
O maior poeta português de todos os tempos.