Archive for Outubro, 2013

Fernando Namora – Coisas. Pequenas Coisas.
Outubro 30, 2013

Fernando Namora by lusografias

Fazer das coisas fracas um poema.

Uma árvore está quieta,
murcha, desprezada.
Mas se o poeta a levanta pelos cabelos
e lhe sopra os dedos,
ela volta a empertigar-se, renovada.
E tu, que não sabias o segredo,
perdes a vaidade.
Fora de ti há o mundo
e nele há tudo
que em ti não cabe.

Homem, até o barro tem poesia!
Olha as coisas com humildade.

Fernando Namora (Condeixa, 15/4/1919 –Lisboa, 31/1/1989)
Poeta, contista, romancista, novelista, biógrafo, escritor de memórias e narrativas de viagens.
Licenciado em Medicina.

Padre António Vieira – O Sermão do Bom Ladrão
Outubro 30, 2013

Padre António Vieira by lusografias

“Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas.

Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.

Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.

Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam.”

Padre António Vieira (Lisboa, 6/2/1608 – Bahia, 18/7/1697)
(“Paiaçu”)
Religioso, Prosador e pensador, orador do séc. XVII

Isabel da Nóbrega – Os Nossos Poetas e Prosadores
Outubro 30, 2013

Isabel da Nóbrega by lusografias

“Temos hoje os maiores poetas da Europa.
E também temos grandes prosadores.”

In JL, 21 de Maio, 2008

Isabel da Nóbrega (Lisboa, 1925)
Pseudónimo de Maria Isabel Bastos Gonçalves.
Romancista, dramaturga, contista, cronista, jornalista e tradutora.

Zeca Afonso – A Canção de Intervenção
Outubro 30, 2013

Zeca Afonso by lusografias

“Não confundo canção de intervenção com panfleto partidário, embora, em determinada altura, eu tenha incorrido nesse erro.

Para que existe a canção de intervenção é preciso um certo voluntarismo dos intervenientes e uma coordenação de esforços (…) implica a noção de que estamos a fazer música como serviço público do ue i como forma de averbar glórias. (…)”

Zeca Afonso
José Afonso (Aveiro, 02/08/1929 – Setúbal, 23/02/1987)
Compositor e cantar, professor, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas.

Yvette Centeno – O Meu País
Outubro 30, 2013

Yvette Kace Centeno by lusografias

“Não posso ver degradar-se a situação do meu país.
Não é europeu, nem civilizado. Ao mesmo tempo que se incentivam as universidades privadas, asfixiam-se as estatais.
Ora o Estado tem obrigações para os cidadãos que pagam impostos. E não são poucos.”

In JL, 1/3/1995

Yvette Kace Centeno (Lisboa, 1940)
Poetisa, dramaturga, ensaísta especializada na obra de Fernando Pessoa, tradutora, professora catedrática.

Olga Gonçalves – A Minha Escrita
Outubro 30, 2013

Olga Gonçalves by lusografias

” A minha escrita é sobretudo portuguesa”
(…)
Gosto muito de Portugal (…) a nossa literatura é hoje como a grega e a irlandesa, das mais ricas de Europa.”

In JL – recorte s/d

Olga Gonçalves (Luanda, 1929 – Lisboa, 03/04/2004)

Poetisa, romancista, contista, tradutora, professora de Inglês.

Maria Alberta Menéres – Escrever para Crianças
Outubro 30, 2013

Maria Alberta Menéres by lusografias

“(…) entusiasmo e alegria de escrever, nunca me falta. Aliás, é uma das razões por que escrevo para crianças: gosto de me divertir com o que escrevo. (…)”

“Escrever para crianças é uma coisa muito séria.”

Maria Alberta Menéres (Vila Nova de Gaia, 25/8/ 1930)
Professora, tradutora, jornalista, poetisa e escritora infanto-juvenil, mãe da cantora Eugénia Melo e Castro.

Octávio dos Santos – O Acordo Ortográfico
Outubro 30, 2013

Octávio dos Santos by lusografias

“Causa-me espanto ver até que ponto algo que é um atentado não só à nossa dignidade, à nossa identidade linguístico cultural, mas também à nossa soberania nacional, passar pelos vistos sem grandes protestos , querendo impor alterações à nossa forma de escrever que não são necessárias.”

In Tempo Livre, Jul/Ago 2010

Octávio dos Santos (Lisboa, 16/04/1965)
Jornalista, escritor, comentador, tradutor, musicólogo.

Casa de Eça no Rossio, n.º 26 – 4.º andar, por cima do Café Nicola, Lisboa
Outubro 28, 2013

Casa do Eça no Rossio, Lisboa by lusografias

Em 1898, por ocasião das Comemorações de Vasco da Gama, Eça foi alvo de uma ovação popular, sobre a qual escreveria uma carta à esposa, que ficara em Paris, em que dizia:

” – Aqui, no Rossio, o Cortejo passou num silêncio glacial, quase sombrio, um silêncio de 30.000 pessoas.
Eu, todavia, se me faz favor, tive a minha pequena ovação, que agradeci do quarto andar, com modéstia.
Os pequenos teriam apreciado consideravelmente estes vivas!”

Eça de Queirós (Póvoa do Varzim, 25/11/1845 – Paris, 16/8/1900)

Diplomata e escritor, considerado o melhor escritor realista português do séc. XIX.

António Ramos Rosa – Em Qualquer Parte um Homem
Outubro 28, 2013

António Ramos Rosa by lusografias

Em qualquer parte um homem
discretamente morre.

Ergueu uma flor.
Levantou uma cidade.

Enquanto o sol perdura
ou uma nuvem passa
surge uma nova imagem.

Em qualquer parte um homem
abre o seu punho e ri.

ROSA, António Ramos, O Grito Claro

António Ramos Rosa (Faro, 17/10/1924 – Lisboa, 23/09/2013)
Poeta, crítico literário, ensaísta, tradutor e desenhador
Marido da poetisa Agripina Costa Marques.