Archive for Dezembro, 2013

Al Berto – A Memória
Dezembro 30, 2013

Al Berto

” a memória é hoje uma ferida onde lateja a pedra do Homem, hirta como uma sombra de sonho”

BERTO, Al, mar-de-leva

Al Berto (Coimbra, 11/1/1948 – Lisboa, 13/6/1997)
Pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares
Poeta, pintor, editor, animador cultural, um “coimbrense-siniense” único.

Natália Correia – Ser-se Poeta
Dezembro 30, 2013

Natália Correia by lusografias

“Ser-se poeta é ser-se cada vez mais o que se é.”

Natália Correia (Fajã de Baixo, S. Miguel, 13/9/1923 – Lisboa, 16/3/1993)
Poetisa, romancista, ensaísta, jornalista e
dramaturga.

Urbano Tavares Rodrigues – Nascer Escritor
Dezembro 30, 2013

Urbano Tavares Rodrigues by lusografias

“Foi através da língua portuguesa, e no cenário sem par de Alentejo, que me procurei e me descobri e, muito jovem, ainda adolescente, nasci escritor (…)”

RODRIGUES, Urbano Tavares, A Natureza do Acto Criador

Urbano Tavares Rodrigues (Lisboa, 6/12/1923 –Lisboa, 09/08/2013)
Ficcionista, investigador, ensaísta, crítico literário, jornalista, professor universitário.
Pai da escritora Isabel Fraga, esposo de Maria Judite de Carvalho, falecida em 1998.

Glória de Sant´Anna – Batuque
Dezembro 30, 2013

Glória de Sant´Anna by lusografias

A dissonância que rompe a noite
contém mensagens
duma alegria rude e desnuda
que me trespassa.

Ânsias ocultas, clamores perdidos
e tanta coisa que não se indaga . . .

A dissonância que rompe a noite
é como o grito
dum cristal puro que se estilhaça.

Fica pairando, num ritmo agudo,
Incompreendido,
e permanece ainda, oculto e vivo,
na palidez tranquila da madrugada.

Glória de Sant´Anna (Lisboa, 1925 – 2/6/2009)
Poetisa, colaboradora de publicações em Moçambique, onde viveu de 1951 a 1975, professora.

Eduardo Prado Coelho – A Função da Crítica
Dezembro 30, 2013

Eduardo Prado Coelho by lusografias

“(…) talvez acabe por ser mais saudável deixar de pensar que existe um objeto sob o véu, e que a função da crítica é a de levantar o véu, tornando possível o acesso ao objeto (…)”

Eduardo Prado Coelho (Lisboa, 29/3/1944 – Lisboa, 25/8/2007)
Escritor, crítico literário, ensaísta, colunista, comentador político, grande difusor da cultura, professor universitário, licenciado em Filologia Românica e doutorado pela FLUL,
Filho de Jacinto do Prado Coelho e pai da jornalista Alexandra Prado Coelho.

Eduíno de Jesus – Com as Mãos
Dezembro 30, 2013

Eduíno de Jesus by lusografias

Com as mãos
construo
a saudade do teu corpo,
onde havia
uma porta,
um jardim suspenso,
um rio,
um cavalo espantado à desfilada.
Com as mãos
descrevo o limiar,
os aromas subtis,
os largos estuários,
as crinas ardentes
fustigando-me o rosto,
a vertigem do apelo nocturno,
o susto.
Com as mãos procuro
(ainda) colher o tempo
de cada movimento do teu corpo
em seu voo.
E por fim destruo
todos os vestígios (com as mãos):
Brusca-
mente.

Eduíno de Jesus (Ponta Delgada, Açores, 18/1/1928)

Ensaísta, dramaturgo, poeta, professor do Ensino Secundário e, posteriormente, docente

Eduardo Lourenço – A Cumplicidade com Annie
Dezembro 30, 2013

Eduardo Lourenço by lusografias

Annie Salomon, esposa de Eduardo Lourenço, falecida no dia 01 do corrente mês e tradutora dos seus ensaios em francês, considerou a sua relação nestes termos:

“Chegou a ser mesmo um verdadeiro partage, em momentos privilegiados de cumplicidade e identidade (…)  sentia isso particularmente quando traduzia os seus livros”.

In: Público, 01/12/2013

Eduardo Lourenço (S. Pedro de Rio Seco, 23/5/1923)
Ensaísta, filósofo, intelectual, professor universitário, distinguido com o Prémio Camões em 1996.

Eduardo Bettencourt Pinto – Amor
Dezembro 30, 2013

Eduardo Bettencourt Pinto by lusografias

Um verão de chamas cresce
enquanto ofereces
nas tuas mãos abertas.
Entre os dedos nadam os versos do sul;
às vezes um rapazinho
canta entre eles
e atira pétalas aos teus olhos.
É a parte de mim que não cresceu.
Queria deixar sobre o teu vestido o rumor
do primeiro voo de um flamingo,
o que sou ao pé de ti:
marinheiro de terra enlouquecida,
potro de água a galope no esplendor
da pele.
Já não posso regressar ao outono:
perdi as minhas sandálias quando corria
nas dunas do teu nome.
A tua claridade cega-me
e é um barco azul
nas ondas destas sílabas.

Eduardo Bettencourt Pinto (Angola, Gabela, 1954)

Poeta e ficcionista.

Eduardo Portella – Ser Ministro
Dezembro 30, 2013

Eduardo Portella by lusografias

“O que me deixou contente foi ter sido convidado a ser ministro da Abertura.
Nem sempre os meus prazos coincidiram com os dos militares, sobretudo da comunidade de informações.Mas eu, como ministro, recusei a censura, anistiei todos.”

Eduardo Portella (São Salvador, Brasil, 8/10/1932)

Crítico literário, ensaísta, professor, conferencista, pesquisador, pensador, advogado, político.

Eduardo Pitta – A Tua Ausência
Dezembro 30, 2013

Eduardo Pitta by lusografias

A tua ausência
a encher-se de dunas.
Aquele bater de vidraças
na orla da praia.
O silêncio a insistir
a recusar-se ao rumor.
E a vida a fluir,
lá fora.

Eduardo Pitta (Lourenço Marques, atual Maputo, 9/8/1949)
Poeta, romancista, contista, ensaísta, crítico literário, colaborador em publicaçãos literárias.