Archive for Julho, 2014

Teixeira de Pascoaes – Cantos Indecisos V
Julho 31, 2014

Teixeira de Pascoaes

O Poeta é um doido errando sempre além,

Que d ́este mundo, em vida, se desterra…

É o ser divino e pálido que tem

Na alma toda a luz, no corpo toda a terra.

 

Teixeira de Pascoaes (Amarante, 8/11/1877- Gatão, 14/12/1952)

Poeta, prosador, licenciado em Direito.

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Sebastião da Gama – A Minha História É Simples
Julho 31, 2014

Sebastião da Gama

A tua, meu Amor,

É bem mais simples ainda:

“Era uma vez uma flor.

Nasceu à beira de um Poeta…”

Vês como é simples e linda?

(O resto conto depois;

Mas tão a sós, tão de manso,

Que só escutemos os dois.)

 

Sebastião da Gama (Vila Nova de Azeitão, Setúbal, 10/4/1924 – Lisboa, 7/2/1952)

Poeta e professor de Português, colaborador das Revistas: Árvore e Távola Redonda, fundador da Liga para a Protecção da Natureza (1948), licenciado em Filologia Românica.

 

Raul de Carvalho – A Santa Clareza
Julho 31, 2014

Raul de Carvalho

“A santa clareza com que os Portugueses falam nas trevas das coisas mais escuras.”

 

Raul de Carvalho (Alvito, 4/9/1920 – Porto, 3/9/1984)

Poeta, colaborar em diversas publicações, pintor e fotógrafo.

Francisco do Ó Pacheco – A Mãe-Natureza
Julho 31, 2014

Francisco do Ó Pacheco

Na sementeira da tristeza

As mais belas criaturas

da Mãe-Natureza

 

Francisco do Ó Pacheco (Sines, 13/9/1947)

Poeta, colaborador de várias publicações, diretor do Jornal Diário do Alentejo de Beja de 2005-2007, autarca.

 

Afonso Lopes Vieira – Chora o Mar
Julho 31, 2014

Afonso Lopes Vieira

Chora no ritmo do meu sangue o Mar.

Naufraguei cem vezes já…

Uma, foi na nau San Bento

e vi morrer, no trágico tormento,

dona Lianor de Sá (…)

Ilhas de Bruma

Afonso Lopes Vieira (Leiria, 1878 –Lisboa,1946)

Poeta, representante do Neogarretismo, ligado à Renascença Portuguesa, licenciado em Direito.

Oliveira Martins – Braços sem Energia
Julho 26, 2014

Oliveira Martins

“Vai-se a energia, ficam os braços inertes ou mendicantes.”

MARTINS, Oliveira, A Emigração Portuguesa (1891)

 

Oliveira Martins (Lisboa. 30/4/1845 – Lisboa, 24/8/1894)

Político, cientista social e escritor.

Joseia Matos Mira – Enlevo
Julho 25, 2014

Ontem, sim o rouxinol cantou

Bem dentro do meu peito

E a minha mão

Abriu na tua mão

Como um amor-perfeito

 

MIRA, Joseia Matos, Lugar Solitário

 

Joseia Matos Mira (Baleizão, Beja)

Romancista, contista e poetisa.

Professora do ensino secundário e superior, licenciada em Filologia Românica, doutorada em Literatura Francesa.

Manuel da Fonseca – Olhos Baços
Julho 25, 2014

Manuel da Fonseca

 

“Parecem de cegos os olhos que a fome tornou baços… ”

FONSECA, Manuel, O Fogo e as Cinzas

 

Manuel da Fonseca (Santiago de Cacém, 15/10/1911-11/3/1993)

Poeta,
Romancista,
Contista e cronista, membro do Grupo Novo Cancioneiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores.

As Dúvidas do Zé-Concertina – Devido a / Derivado de
Julho 25, 2014

Vogais

Conversa entre o Zé-Concertina, as Vogais e outras mais…

– Bom dia, Sr. Zé-Concertina!

– Bom dia, Menina d! Passou bem?

– Bem, obrigada! E o Sr.? Vem muito pensativo!

– Calcule a Menina que esta noite não tive sossego derivado à balhana da música que vinha do castelo! Aquilo era uma coisa por demais. A mocidade vai ficar mouca não tarda muito.

– Ouvi falar sobre um festival, mas a Sr.ª Professora Linguesa aconchegou-nos e às vogais num livro de poemas da Sophia, e dormimos toda a noite.

– Sorte a vossa, Menina Consoante!

– Sr. Zé-Concertina, permite-me que faça uma correção?

– Faça favor, Menina d! Não me diga que já dei algum pontapé na gramática?!…

– Tropeçou no “derivado“, Sr. Zé-Concertina.

– Ai, Menina! Nem dei por isso! Pode ajudar-me, se faz favor?

– Com todo o gosto! O  Sr. Zé-Concertina queria dizer que era devido a… 

– Mas, Menina d, derivado e devido não é a mesma coisa? Não quer dizer: por causa de?

– Não, Sr. Zé-Concertina! Devido a é que traduz essa ideia, pois trata-se de uma expressão relacionada com o verbo dever, significando ter como causa, e emprega-se com a preposição a.

– Ohhh! Não sabia, mas para que serve o derivado, Menina Consoante?

– O Sr. Zé-Concertina quer ajudar-me?

– Gostaria, mas como?

– Com que verbo lhe parece que  a palavra derivado se relaciona?

– Muito fácil, Menina! Com o verbo derivar.

– Muito bem, Sr. Zé-Concertina! Derivar de alguma coisa, ter origem.

– Entendido, Menina d! Posso dar um exemplo?

– Com certeza!

– O vinho é um derivado da uva.

– Muito bem! E o Sr. Zé-Concertina não descansou…

– … devido à balhana da  música! Muito obrigada, Menina Consoante! Já  tenho mais uma para ensinar depois da sesta lá  na tasca do Valentim.

– Não tem de quê, Sr. Zé-Concertina

Urbano Tavares Rodrigues – Margem Sul
Julho 22, 2014

Urbano Tavares Rodrigues

Ó Alentejo dos pobres,
reino da desolação,
não sirvas quem te despreza,
é tua a tua nação.

Não vás a terras alheias
lançar sementes de morte.
É na terra do teu pão
que se joga a tua sorte.

Terra sangrenta de Serpa,
terra morena de Moura,
vilas de angústia em botão,
doce raiva em Baleizão.

Ó margem esquerda do Verão
mais quente de Portugal,
margem esquerda deste amor
feito de fome e de sal.

A foice dos teus ceifeiros
trago no peito gravada,
ó minha terra morena
como bandeira sonhada.

Terra sangrenta de Serpa,
terra morena de Moura,
vilas de angústia em botão,
doce raiva em Baleizão.

(Interpretado por Adriano Correia de Oliveira – A Noite dos Poetas)

Urbano Tavares Rodrigues (Lisboa, 6/12/1923 – Lisboa, 09/08/2013)
Ficcionista, investigador, ensaísta, crítico literário, jornalista, professor universitário.
Pai da escritora Isabel Fraga, esposo de Maria Judite de Carvalho, falecida em 1998.