Orlando da Costa – “Opção por Ser Português”

Orlando da Costa

” (…) Em Lisboa eu nunca me dei com estudantes apenas goeses. Tinha o grupo da calirada, é verdade, mas abri-me a outros contactos, quer na Faculdade quer na Casa dos Estudantes do Império, quer em pensões onde morei, e havia lá indianos, angolanos, moçambicanos.

Misturei-me sempre muito com colegas de todo o lado e também daqui do Continente.

Há colegas meus que quando saíram da Faculdade ficaram com um ou dois amigos; eu fiquei para aí com vinte. E não só com os da Faculdade, com os amigos do Técnico, da Faculdade de Ciências, das lutas associativas.

Mas a opção de ser português – português, de facto – só acontece com o exercício literário da língua. Em Goa eu falava português, mas também inglês e concanin.

(…)

De concanin falo umas palavras, recupero quando chego à Índia. Mas as primeiras palavras que ouvi foram em português, em Moçambique. Em Goa, em miúdo, falava concanin com os rapazes da minha idade e com os criados. (…)”

In JL, Terça-feira, 8 de Março de 1994

Orlando da Costa (Lourenço Marques, 02/07/1929 – Lisboa, 27/01/2016
Poeta, ficcionista e dramaturgo.
Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas – tal como os seus amigos Augusto Abelaira e Jacinto do Prado Coelho, e no mesmo dia.
Pai do político António Costa e do jornalista Ricardo Costa.

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