Augusto Gil – A Minha Mãe

Augusto Gil

As ilusões semelham-se a um colar
De pérolas alvíssimas, de espuma.
Se o fio que as segura se quebrar,
Caem no chão, dispersas, uma a uma.

Caem no chão, dispersas, uma a uma,
Se o fio que as segura se quebrar;
Mas entre tantas sempre fica alguma,
Sempre alguma suspensa há-de ficar.

Das minhas ilusões, dos meus afectos,
Longo colar de amores predilectos,
Muitos rolaram já no pó também.

Um só dentre eles não cairá jamais:
Aquele que eu mais prezo entre os demais,
— O teu amor santíssimo de mãe.

Augusto Gil (Lordelo do Ouro, 31/7/1873 – Guarda, 26/11/1929)
Poeta, colaborador de jornais, advogado, director-geral das Belas-Artes.

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