Luís Amaro – Desde os Confins na Infância

Luís Amaro

A Maria Aliete Galhoz

 

Desde o confins da infância

Uma sombra me espreita

E avassala meu ser, quando o silêncio

Deixa que falem as vozes mais secretas.

 

Uma sombra, que paira, se debruça

No coração perdido de si mesmo:

Saudade ou remorso, e a lembrança

De ti, minha mãe, a cintilar na noite.

 

Na noite – esse mar em que vogamos

Estremecendo às ondas mais bravias,

Sem timoneiro ou âncora, nem destino,

Tendo no céu por guia estrela frágil

E cada vez mais perto e envolvente

A sombra com seu hálito de fogo

E meu aéreo corpo, que nos chama.

 

AMARO, Luís, in Diário Íntimo

 

Luís Amaro (Aljustrel, 1923)
Poeta, bibliógrafo e crítico literário, co-dirigiu a revista Árvore, e colaborou nas publicações: Seara Nova, Távola Redonda e Portucale.

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