Alberto de Oliveira – Céu Fluminense

Alberto de Oliveira (Brasil)

Chamas-me a ver os céus de outros países,
Também claros, azuis ou de igneas cores,
Mas não violentos, não abrasadores
Como este, bárbaro e implacável – dizes.

O céu que ofendes e de que maldizes,
Basta-me entanto: amo-o com os seus fulgores,
Amam-no poetas, amam-no pintores,
Os que vivem do sonho, e os infelizes.

Desde a infância, as mãos postas, ajoelhado,
Rezando ao pé de minha mãe, que o vejo.
Segue-me sempre… E ora da vida ao fim,

Em vindo o último sono, é meu desejo
Tê-lo sereno assim, todo estrelado,
Ou todo sol, aberto sobre mim.

 

Alberto de Oliveira, pseudónimo de António Mariano Oliveira (Saquarema, 28/4/1857 – Niterói, 19/1/1937)
Poeta – “o Príncipe dos Poetas” -, professor de Português, co-fundador da Academia Brasileira de Letras, farmacêutico.

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