Soeiro Pereira Gomes e Os Esteiros Vistos por Adolfo Casais Monteiro

Soeiro Pereira Gomes

“Esses garotos miseráveis, cuja amarga existência constitui o tema central do romance, deram a Pereira Gomes a oportunidade de se destacar de entre todos os escritores da mesma geração e de tendência idêntica; porque, melhor do que nenhum, ele soube compreender as suas personagens; porque, como nenhum, os soube amar”.

Amor e compreensão, disse eu. Quero acrescentar solidariedade, e qualquer das três formas de participação me parece inseparável de todas as outras. Pois como os teria compreendido se, vivendo num mundo tão diferente, uma força não o impelisse irresistivelmente para junto deles … Com todo o talento, Pereira Gomes teria falhado, caso não se tivessem junto nele essas três virtualidades.

Porque Pereira Gomes, se, socialmente, estava muito longe dos seus vagabundos e miseráveis, estava perto deles, bastava-lhe abrir os olhos, como abriu, para ver essas misérias e muitas outras à sua volta. Quero eu dizer que não fez expedições para “colher material”, não andou a escolher um tema com as características convenientes para levar a cabo a sua intenção de fazer “arte social”.

 

Soeiro Pereira Gomes (Gestaçô, 14/4/1909 – Lisboa, 5/12/1949)
Escritor neo-realista, colaborador em publicações, político contra a ditadura salazarista, defensor dos explorados e oprimidos, irmão da escritora Alice Pereira Gomes.

 

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