Sá de Miranda – Vilancete

Sá de Miranda

Ó meus castelos de vento,
Que em tal cuita me pusestes.
Como já vos desfizestes?!

Caístes-me tam asinha.
Caíram-me as esperanças!
Isto não foram mudanças
Mas foram a morte minha!
Castelos sem fundamento.
Quanto que me prometestes!
Quanto que me falecestes!

Armei castelos; erguidos,
Esteve a fortuna queda,
E disse: ¾ «Gostos perdidos,
Como is a dar tam gram queda! »
Mas, ó fraco entendimento,
Em que parte vos pusestes
Que então me não socorrestes?

Francisco Sá de Miranda (Coimbra, 28/08/1481- Amares, 15/03/1558)
Poeta e dramaturgo, introduziu em Portugal: o soneto, a canção, a sextina, as composições em tercetos e em oitavas e os versos de dez sílabas, bem como a comédia em prosa, colaborador do Cancioneiro Geral,”doutor em Leis”.

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