Literatura Africana de Expressão Portuguesa – Eugénio Tavares – Partindo

Eugénio Tavares

Triste, por te deixar, de manhãzinha
Desci ao porto. E logo, asas ao vento,
Fomos singrando, sob um céu cinzento,
Como, num ar de chuva, uma andorinha.

Olhos na Ilha eu vi, amiga minha,
A pouco e pouco, num decrescimento,
Fugir o Lar, perder-se num momento
A montanha em que o nosso amor se aninha.

Nada pergunto; nem quero saber
Aonde vou: se voltarei sequer;
Quanto, em ventura ou lágrimas, me espera

Apenas sei, ó minha Primavera,
Que tu me ficas lagrimosa e triste.
E que sem ti a Luz já não existe.

Eugénio Tavares
“Nhô Eugénio” (Ilha da Brava, Cabo Verde, 5/11/1867 – 1/6/1930

Poeta, ficçionista, ensaísta, jornalista.

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