Américo Durão – A Água

Américo Durão

Eu fui a sombra a converter-se em luz,
E fui a névoa a transformar-se em cor,
E fui o pranto a consagrar a dor,
Quando brilhei nos olhos de Jesus.

E fui a nuvem a buscar a altura,
E recebi do Sol a cor da chama..
Caí na Terra e converti-me em lama,
Para a tornar melhor e menos dura!

Fui pranto de perdão e de humildade…
E foi nuns olhos cheios de saudade
Que mais linda me fiz e desejei!…

E fui rio… e fui mar… e onda… e espuma…
E, em sonho de Poetas, fui a bruma…
O vago… o indeciso… o que não sei…

Américo Durão (Coruche, 28/10/1893 – Lisboa, 7/3/1969)
Poeta e dramaturgo, licenciado em Direito.

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