Eduardo Bettencourt Pinto – Residência

Eduardo Bettencourt Pinto

Guardas as estações do sol e as harpas.
Os perfumados símbolos da terra cantam
no primeiro verão do olhar.
As mão levam-te a vasos de margaridas brancas,
sinuosos e claros oceanos.
Sentas-te à mesa da tribo e repartes o pão.
«Um homem que ama nas sombras o fulgor e as
[essências,
nunca chega tarde aos degraus da alegria», dizes,
o cheiro do vento e do trigo entre os dedos.
Não podes morrer contra o sonho contando
as pedras e alvoroços,
a face reflectida nos espelhos da alma.
Nunca partas dessa casa onde cresce agora
a voz das crianças, os rios da sua inocência,
as mais bravas e fragrantes ervas do amor.
Queres, eu sei, esse mar, a breve cama dos pombos
quando se abrigam nos rumores.
«Não há maior orfandade que chegar à ternura
sem palavras», dizes, os cisnes de Junho
nadando em círculos nos teus olhos.

Eduardo Bettencourt Pinto (Angola, 1954)
Poeta e ficcionista.

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