Maria Lamas – Era o Mar!

Maria Lamas

“Olha, João!! Que será aquilo? – gritou Soledade, parando e agarrando-se ao braço do companheiro.

–  É o pôr-do-Sol! – disse ele, parando também.

– Parece um incêndio!

– (…) Mas, espera… Por debaixo do Sol não há terra é tudo água!

– Tanta! Tanta! Não tem fim!

– É capaz de ser o mar!

–  Será, João?

– Ia jurar que sim!

– Vamos, vamos depressa!

Como se lhe tivessem nascido novas forças, a Soledade corria, puxando pelo João.

E o burrito acompanhava-os sempre – tóc-tóc-tóc- conforme podia, de patinha no ar, tal qual como se compreendesse o que a Soledade queria.

Desceram uma ladeira muito íngreme, que atravessava um pinhal; seguiam, depois, por um caminho estreito, e foram dar a um areal enorme.

As ondas, muito altas, eram como rolos de espuma, a correr sobre a água, até se sumirem na praia.

As duas crianças estavam maravilhadas.

Era o mar, com certeza!

Tão grande! Tão bonito!”

LAMAS, Maria, Estrela do Norte

Maria Lamas (Torres Novas, 6/10/1893 – Lisboa, 6/12/1983)
Poetisa, cronista, novelista, folhetinista, escritora de literatura infanto-juvenil, jornalista, tradutora, intervencionista política, lutadora pelos direitos das mulheres, humanista.
Usou os pseudónimos: Maria Fonseca; Serrana d´Ayre e Rosa Silvestre.

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