Archive for Março, 2016

Dificuldades da Língua Portuguesa – Sim, Senhor! Sim, Senhora! Sim, Senhores! Sim, Senhoras!
Março 16, 2016

As Vogais

A concordância das expressões: Sim, Senhor! Sim, Senhora! Sim, Senhores! Sim, Senhoras! efetua-se com a(s) pessoa(s) a quem nos dirigimos.

Exs.: Lembrar-me-ei do que me disse. Sim, senhor / Sim senhora!

Lembrar-me-ei do que me disseram. Sim, senhores / Sim, senhoras

 

Nota: Admite-se, também, a seguinte forma de pontuação:

Lembrar-me-ei  do que me disse, sim senhor (a)

Lembrar-me-ei do que me disseram, sim senhores /sim senhoras!

 

Recordo de que nas expressões: Obrigado /Obrigada a concordância faz-se a partir do género do locutor.

Ex.: – Obrigado! – agradeceu o João.

Obrigada pela atenção! – agradeceu a Andreia.

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Literatura Africana de Expressão Portuguesa, Cabo Verde – Eugénio Tavares, Canção ao Mar (Mar Eterno)
Março 15, 2016

Eugénio Tavares

Oh mar eterno sem fundo
Sem fim
Oh mar de túrbidas vagas
Oh mar!
De ti e das bocas do mundo
a mim
Só me vem dores e pragas
Oh mar!

Que mal te fiz oh mar, oh mar
Que ao ver-me pões-te a arfar, a arfar
Quebrando as ondas tuas
De encontro às rochas nuas

Suspende a zanga um momento
Escuta
A voz do meu sofrimento
Na luta
Que o amor acende em meu peito
Desfeito
De tanto amar e penar
Oh mar!

Que até parece oh mar, oh mar
Um coração a arfar, a arfar
Em ondas pelas fráguas
Quebrando as suas máguas
Dá-me notícias do meu amor,
Amor
Que um dia os ventos do céu
Oh dor!
Nos seus braços furiosos
Levaram
E ao meu sorriso, invejosos,
Roubaram

Não mais voltou ao lar, ao lar
Não mais o vi oh mar, oh mar
Mar fria sepultura
Desta minha alma escura

Roubaste-me a luz querida
Do amor,
E me deixaste sem vida
No horror
Oh alma da tempestade
Amansa,
Não me leves a saudade
E a esperança

Que esta saudade, é quem, é quem
Me ampara tão fiel, fiel
É como a doce mãe
Suavíssima e cruel

Mas máguas desta aflição
Que agita
Meu infeliz coração,
Bendita,
Bendita seja a esperança
Que ainda
Lá me promete a bonança
Tão linda!

Eugénio Tavares
“Nhô Eugénio” (Ilha da Brava, Cabo Verde, 5/11/1867 – 1/6/1930)

Poeta, ficçionista, ensaísta, jornalista.

João Cabral de Melo Neto – O Relógio
Março 13, 2016

João Cabral de Melo Neto

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Uma vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouví-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.

 

João Cabral de Melo Neto (Recife, 9/1/1920 – Rio de Janeiro, 9/10/1999)
Poeta, galardoado com o Prémio Camões em 1990, e diplomata.

 

João Zorro – El-rei de Portugale
Março 13, 2016

El-rei de Portugale
barcas mandou lavrare,
e lá irá nas barcas sigo,
mia filha, o voss’amigo.

El-rei portuguese
barcas mandou fazere,
e lá irá nas barcas sigo,
mia filha, o voss’amigo.

Barcas mandou lavrare
e no mar as deitare,
e lá irá nas barcas sigo,
mia filha, o voss’amigo.
Barcas mandou fazere
e no mar as metere,
e lá irá nas barcas sigo,
mia filha, o voss’amigo.

 

João Zorro (Séc. XIII)

Viveu na corte de D. Dinis e a sua obra consta nos Cancioneiros da Biblioteca Nacional e da Vaticana.

Jaime Rocha – Juntar Palavras e Fazer Literatura
Março 13, 2016

Jaime Rocha

“todos temos a capacidade de juntar palavras. Nem todos possuem a capacidade de fazer literatura. Coisas simples do dia-a-dia, como uma casa, uma árvore, um pássaro são transformadas em literatura. Há uma magia que não sei descodificar. As palavras aparecem na nossa cabeça e, a determinado momento, juntamo-las e nasce um poema”. (…) existem génios, sim, mas no meu caso são precisas muitas horas de trabalho”.
(…)

“não há nenhum grande escritor que não seja um grande leitor. O escritor é um produto do que lê. Dizemos o que já foi dito por outros, mas de forma diferente. Não há temas novos. Há novas formas de ver os temas”.

In Notícias, CM de Póvoa do Varzim, Jaime Rocha no Colégio de Amorim, 25/02/2016

Jaime Rocha (Nazaré, 7/4/1949)
Pseudónimo de Rui Ferreira e Sousa
Jornalista, poeta, romancista e dramaturgo.

Jaime Cortesão – A Borboleta
Março 13, 2016

Jaime Cortesão

Filha da larva que o Inverno hostil
Gelou numa dureza concentrada
Ao aquecer do flavo Sol d’Abril
Surgiu de forma leve e curva alada.

Íris que voa, aspiração subtil
Da flor que quis ser ave, e transformada
Libra no ar a pétala gentil,
Asa da cor, paleta iridiada,

Poisa tão breve que se um sopro a agita
Ergue-se a bambolina num fulgor…
Aflora os lábios duma margarita.

Abrindo manchas, vai de flor em flor,
Flutua, anseia, embala-se e palpita…
Como um bailado trémulo da cor.

Jaime Cortesão (Ançã, Cantanhede, 29/4/1884 – Lisboa, 14/8/1960)
Médico, político, escritor e historiador.

João de Araújo Correia – A Corrupção da Língua
Março 13, 2016

João de Araújo Correia

“olhos postos em línguas estrangeiras sem discernimento são origem de corrupção da língua…

Confunde-se evolução com invocação como quem confunde progresso com retrocesso”

CORREIA, João de Araújo, Horas Mortas

 

João de Araújo Correia (Canelas do Douro, Peso da Régua, 1/1/1899 – Peso da Régua, 3/12/1985)
Contista, novelista, colaborador de jornais e revistas, linguista, médico e professor.

Onomatopeias – Nova Versão, Vozes de Animais – Pombo, Porco, Poupa, Rã, Raposa, Rato, Rinoceronte, Rola, Rouxinol, Sapo
Março 13, 2016

As Vogais

Onomatopeias são as palavras que imitam as vozes de pessoas ou animais, e os ruídos da natureza e de objectos.

A atual publicação terá uma nova apresentação relativamente às anteriores:

1.Vozes de Animais – por ordem alfabética dos emissores, para mais fácil consulta!

2. Outros Ruídos ou Sons

1.Vozes de Animais (continuação)

Pombo —————– arrulhar, rulhar

Porco ——————- grunhir, guinchar

Poupa —————— arrulhar, turturinar

———————– coaxar, engrolar

Raposa —————– regougar, uivar

Rato ——————– chiar, guinchar

Rinoceronte ———- bramir, grunhir

Rola ——————— gemer

Rouxinol —————- gorjear, trinar

Sapo ——————— coaxar, gargarejar

(continua)

Miguel Torga – “Morreu Fernando Pessoa.”
Março 13, 2016

Miguel Torga

“Vila Nova, 3 de Dezembro de 1935 – Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era.”

TORGA, Miguel, Diário I

Nota: Fernando Pessoa faleceu no dia 30/11/1935.

Miguel Torga (São Martinho de Anta, Vila Real, 12/8/1907 – Coimbra, 17/1/1995)
Pseudónimo de Adolfo Correia Rocha.
Contista, poeta, romancista, ensaísta, dramaturgo, um dos mais importantes escritores portugueses do século XX,  galardoado com o Prémio Camões em 1989, médico.

José Gomes Ferreira – XLVIII
Março 9, 2016

José Gomes Ferreira

(Rigorosamente pessoal.)

Tudo acabou entre nós.

… mas não sei que voz

insiste em prolongar a melodia

que vai do sol à última lua sem luar…

 

Esperança: o teu nome verdadeiro é teimosia

de querer ouvir as pedras a cantar.

 

FERREIRA, José Gomes, Poeta Militante 1.º Volume

 

José Gomes Ferreira (Porto, 9/6/1900 – Lisboa, 1985)
Poeta, jornalista – colaborador da Presença e Seara Nova -, membro do Novo Cancioneiro, compositor musical, tradutor de filmes, Presidente da Associação Portuguesa de Escritores, licenciado em Direito, cônsul na Noruega, pai do arquitecto Raul H. Ferreira e do poeta Alexandre Vargas.