Jaime Cortesão – A Borboleta

Jaime Cortesão

Filha da larva que o Inverno hostil
Gelou numa dureza concentrada
Ao aquecer do flavo Sol d’Abril
Surgiu de forma leve e curva alada.

Íris que voa, aspiração subtil
Da flor que quis ser ave, e transformada
Libra no ar a pétala gentil,
Asa da cor, paleta iridiada,

Poisa tão breve que se um sopro a agita
Ergue-se a bambolina num fulgor…
Aflora os lábios duma margarita.

Abrindo manchas, vai de flor em flor,
Flutua, anseia, embala-se e palpita…
Como um bailado trémulo da cor.

Jaime Cortesão (Ançã, Cantanhede, 29/4/1884 – Lisboa, 14/8/1960)
Médico, político, escritor e historiador.

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