Sophia – A Cultura – Intervenção na Assembleia Constituinte (3/9/1975), Excertos

Sophia de Mello Breyner Andresen

“Peço a palavra para dar o meu apoio ao artigo 28.º e ao artigo 29.º

Num país e num mundo onde há famílias sem casa e doentes sem tratamento e sem hospital a questão da liberdade de criação artística e intelectual pode parecer uma questão secundária. Mas sabemos que a cultura influi radicalmente a estrutura política. E por isso a questão da liberdade da cultura é uma questão primordial.

E sabemos que toda a cultura real trabalha para a libertação  do homem e que por isso toda a cultura real é, na sua raiz, revolucionária. E  sabemos que não poderemos construir de facto o socialismo se não ultrapassarmos o uso burguês da cultura. Pois a cultura não é um luxo de privilegiados, mas uma necessidade fundamental de todos os homens e de todas as comunidades.

A cultura não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar – para que o homem possa construir-se em consciência, em verdade e liberdade e em justiça. E, se o homem é capaz de criar cultura a revolução. é exactamente porque é capaz de criar cultura. (…)”

(continua)

In JL, 30 de março a 12 de abril de 2016

Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 06/11/1919 – Lisboa, 02/07/2004)
Poetisa, contista, autora de literatura infantil e tradutora, a 1.ª mulher portuguesa a receber o prémio Camões (1999)

 

 

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