Carlos Queirós – Navio

Carlos Queirós

 

Afastava-se o navio. – Como era

Tão grande, junto ao cais, quando esperava

A hora da partida, que eu julgava

Impossível passar de eterna espera!

 

Afasta-se… Bem vejo que acelera

A marcha, que uma súplica não trava.

– É inútil ficares, minh´alma, escrava

Da sensação que as águas dilacera.

 

Que importa que se afaste?! O que é pior,

É lembrar-nos a nossa pequenez,

Quando se torna cada vez menor…

 

Dilui-se, pouco a pouco, a nitidez;

Mas deixa, como um rastro, a eterna dor

Do Homem – e de tudo quanto fez.

 

Carlos Queirós (Lisboa, 5/4/1907 – Paris, 27/10/1949)
Poeta modernista, um dos grandes vultos da Revista Presença.

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