Carlos Reis – A Lusa Atenas

Carlos Reis

“Coimbra, 12 de novembro

Volto a Coimbra por uns dias (…). E volto com gosto, não só porque venho falar do sempre fascinante (para mim) romance oitocentista, mas também porque reencontro lugares e pessoas que fazem parte da minha memória afetiva. Essa que não se apaga, apesar de episódicos amuos que às vezes tenho com a Lusa Atenas, celebrada pelo conselheiro  Acácio numa prosa (“Reclinada molemente na sua verdejante colina…”) que já vi levada a sério por pessoas sisudas.

Sempre fui crítico da Coimbra “menina e moça”, das praxes e da universidade isolada no alto da tal colina. Verdade seja: ao contrário do que alguns pensam (as ideias feitas são persistentes), Coimbra e a sua universidade já não são só isso, apesar das crises de “coimbrismo” e “coimbrinhas”, que, como a malária, de vez em quando ressurgem.

No fim de contas, estou bem acompanhado na minha ambivalente relação com Coimbra: dois dos meus maîtres à penser, Eça e Eduardo Lourenço, viveram e vivem semelhante divisão de opiniões.”

 

In JL, “Diário”, 14 a 27 de dezembro de 2011

 

Carlos Reis (Angra do Heroísmo, 28 /09/1950)
Ensaísta, colaborador de jornais e revistas,professor universitário, especialista em literatura portuguesa.

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