Onésimo Teotónio Almeida – O Tempo

Onésimo Teotónio Almeida

” Os dias dão para cada vez menos, e crescem as solicitações.  Uma sensação genérica de não me arrepender de ter perdido o tempo que deveras perdi fazendo o que fiz.

A queixa sai só contra as limitações impostas pela esperança de vida.

As projecções mais optimistas não me dão tantos anos quantos desejaria para poder continuar  fazer aquilo de que gosto (Manoel de Oliveira não passa a ninguém o segredo do elixir que lhe permite adiar a velhice).

Aposentação? Não senhor, muito obrigado. Felizmente por cá não é obrigatória.

O tédio é um espectro e, se não tiver uma lista de compromissos atrasados a cumprir, adormecerei entorpecido num canto. E, todavia, se faço sempre tudo como se fosse a tarefa mais importante da vida, olho para esse tudo como se importasse pouco. Verdade que o leitor não será obviamente obrigado a acreditar.”

In JL, 4-17 Janeiro 2006

Onésimo Teotónio Almeida (Pico da Pedra, Açores, 18/12/1946)
Escritor, ensaísta, cronista, colunista, professor universitário.

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