Branquinho da Fonseca – A Faina

Branquinho da Fonseca

“(…) A correr, a gritar, a insultar, a praguejar, misturando nomes de santos e obscenidades, numa luta feroz e alegre, trabalhavam num ímpeto que tinha vindo do mar (…)

Na escuridão, uma fina silhueta de rapariga atraiu uma voz de homem:

– Vá´s amanhã ó Sã Brás?

– ´Tou só à espera d´orde…

A ironia não o venceu:

– A q´horas vá´s?

– À hora do meu reloje…

– Fala-me sero, ah, Mar´Rosa!…

– Vens tão mesmo a falar pra mim, oh!…

– Nã hás-de ser tu que me mordes a crista.

Perdida na noite, ao longe, soava mais uma vez a corneta do homem dos bois, num apelo de contentamento e de paz.

E os animaos mitológicos surgiram das trevas e passavam lavrando com as correntes a areia doirada pela luz dos archotes, passavam devagar e desapareciam na noite, a caminho das luzes que ao sul eram estrelas de bom sinal. (…)”

FONSECA, Branquinho da, Mar Santo

Branquinho da Fonseca (Mortágua, 4/5/1905 – Lisboa, 6/5/1974)
Poeta, contista, romancista e dramaturgo, co-fundador das Revistas: Tríptico, Presença e Sinal – esta com Miguel Torga. Assinou algumas obras com o pseudónimo António Madeira. Filho do escritor Tomás da Fonseca. Licenciado em Direito.

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