Fernando Assis Pacheco – A Flor da Mocidade

Fernando Assis Pacheco

JUNTEI-ME UM dia à flor da mocidade
partindo para Angola no Niassa
a defender eu já não sei se a raça
se as roças de café da cristandade

a minha geração tinha a idade
das grandes ilusões sempre fatais
que não chegam aos anos principais
por defeito da própria ingenuidade

a guerra era uma coisa mais a Norte
de onde ela voltaria havendo sorte
à mesma e ancestral tranquilidade

azar de uns quantos se pagaram porte
esses a que atirou a dura morte
diz-se que estão na terra da verdade

Lisboa, 28/IV/94

Fernando Assis Pacheco (Coimbra, 1/2/1937 – Lisboa, 30/11/1995)
Poeta, romancista, novelista, jornalista, crítico e tradutor.

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